Publicado 16/04/2026 15:59
O neurocirurgião que atendia Diego Maradona quando ele faleceu em 2020 declarou-se inocente nesta quinta-feira (16) no julgamento na Argentina pela morte do ídolo, no qual está acusado junto a outros seis profissionais de saúde.
Publicidade"Sou inocente e lamento muito sua morte", disse Leopoldo Luque, que chefiava a equipe médica responsável pela saúde do astro enquanto ele se recuperava sob internação domiciliar de uma cirurgia na cabeça quando faleceu em 25 de novembro de 2020, em decorrência de uma crise cardiorrespiratória e um edema pulmonar.
Trata-se do primeiro depoimento no novo julgamento pela morte de Maradona, depois que no ano passado um primeiro processo foi anulado em meio a um escândalo com uma juíza destituída por autorizar um documentário clandestino do julgamento.
Luque, assim como os outros acusados, enfrenta a acusação de homicídio com dolo eventual, figura que implica que eram conscientes de que suas ações poderiam ocasionar a morte. O crime prevê penas de até 25 anos de prisão. Todos se declaram inocentes.
O neurocirurgião solicitou depor de forma inesperada, um direito que todos os acusados têm neste novo julgamento que começou na última terça-feira.
Seu pedido motivou a suspensão das outras testemunhas que haviam sido convocadas para esta quinta-feira, entre elas a filha de Maradona, Gianinna, por decisão do Ministério Público e das partes acusadoras.
O médico rejeitou que Maradona tenha sofrido 12 horas de agonia antes de sua morte, como indicaram os estudos forenses.
"Estou completamente seguro de que isso não aconteceu", disse Luque, que questionou outros aspectos da autópsia, como o que se refere ao elevado peso do coração de Maradona, algo que, segundo ele, é habitual em ex-atletas.
Também questionou o relatório no ponto que afirma que Maradona apresentava um edema agudo de pulmão.
"O paciente é reanimado, param um segundo a reanimação porque sabiam que ele havia falecido e voltam a reanimá-lo a pedido da família. Reanimam um cadáver. Quem sabe o que isso gera em um cadáver?", afirmou.
Também lembrou que não foi ele quem operou Maradona de um hematoma na cabeça e que tampouco era seu médico em 2007, momento a partir do qual "não recebeu mais nenhum medicamento cardíaco".
"Não venho dizer o que acho, venho dizer o que está escrito", ressaltou.
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