Junior Souza / CBF
Publicado 30/11/2025 09:00
Fala, galera!
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Nessa semana foi apresentado pela CBF, depois de muita expectativa, o Programa de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro, ou o que se chama de “fair play” financeiro.

Afinal, o que é isso? O “fair play” estabelece que cada clube gaste dentro dos limites do que arrecada, impedindo que o aumento da dívida de forma constante seja uma ferramenta de gestão, como rola hoje com alguns clubes. Não pode, pô, é sacanagem! E não apenas com quem paga em dia seus compromissos, mas com sua própria torcida, que é enganada no curto prazo e depois convocada para pagar a conta.

As principais ligas do mundo contam com esse sistema, e é superimportante a gente esclarecer a sua relevância e alguns erros que costumam aparecer por aí.

Em primeiro lugar, não se trata de uma regra para equilibrar os times de um campeonato. Cada clube tem o seu tamanho de torcida e imagem para trabalhar. Isso seria impossível, e não é esse o objetivo do programa. Não dá para colocar um teto na capacidade que cada um tem de explorar as suas receitas comerciais, e poder gastar de acordo com elas.

Quando um clube gasta dentro do que arrecada, fruto de uma torcida grande e fiel e de uma gestão equilibrada, é justo que ele possa usar essa grana montando um bom elenco e contratando jogadores. Mas, trazer esses mesmos jogadores e não pagar, seja ao clube original ou aos próprios atletas, é criar uma vantagem injusta e artificial, mesmo que a conta chegue. E ela sempre chega.

Então eu quero dizer basicamente uma coisa sobre o “fair play” anunciado pela CBF: demorou! Além de ex-atleta, hoje eu também sou dirigente de clube que sabe bem os desafios que um gestor de futebol encontra para pagar suas contas e gerir dívidas do passado. Não é mole. Tenho consciência de que não pagar pode trazer um benefício imediato, mas vai prejudicar muito o clube. As regras do “fair play” retiram essa possibilidade dos gestores, o que é ótimo!

Foram anunciadas regras também em relação ao limite de gastos das receitas dos clubes com a folha salarial do futebol e com os regimes de recuperação, quando as despesas precisam ser controladas para não criar um desequilíbrio estrutural.

Eu gostei, tudo lindo na teoria. Mas agora temos de acompanhar e cobrar a sua execução, principalmente a aplicação das penas em caso de descumprimento da nova regra.

Esse sempre foi o nosso obstáculo, criar normas e não cumprir. O Profut tentou fazer isso lá atrás, criando normas de responsabilidade financeira para o futebol. Até refinanciou dívidas. Eu avisei que seria difícil fazer cumprir as punições esportivas impostas pela lei, e infelizmente estava certo. O STF, logo depois, decidiu que era inconstitucional. Vamos torcer para que, agora, com as regras estabelecidas pela própria entidade que gere o futebol, a coisa funcione.

Se no passado era “normal” contratar e não pagar, agora a indústria do futebol, com todo o seu crescimento econômico, não pode mais aceitar esse tipo de situação.
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