O árbitro Omar Abdulkadir ArtanKenzo Tribouillard / AFP
Publicado 08/06/2026 22:57
O premiado árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi afastado da Copa do Mundo de 2026, que começa na quinta-feira, após ter sua entrada nos Estados Unidos negada, informou a Fifa nesta segunda-feira (8).

"A Fifa pode confirmar que o árbitro Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem arbitrar na Copa do Mundo da Fifa 2026 depois que lhe foi negada a entrada nos Estados Unidos", declarou à AFP um porta-voz da Fifa.

A Fifa destacou que não tinha capacidade para influenciar a decisão, que, segundo afirmou, é de competência exclusiva dos Estados Unidos, um dos países-sede do Mundial, ao lado do México e do Canadá.

"A Fifa não intervém nos processos de imigração do país anfitrião, incluindo a concessão de vistos, e as autoridades a informaram de que a situação de Artan não mudará por enquanto", afirmou o porta-voz.

Por sua vez, a polícia de fronteira americana (CBP) explicou à AFP que "em 6 de junho, um cidadão somali chegou ao Aeroporto Internacional de Miami procedente do Aeroporto Internacional de Istambul... Durante os procedimentos, o viajante foi submetido a uma inspeção adicional, uma etapa de rotina".

"Ao término da inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo, foi considerado inadmissível devido a questões relacionadas à verificação de seus antecedentes e teve sua entrada no território negada", acrescentou a agência vinculada ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

A Somália é um dos vários países cujos cidadãos estão sujeitos a restrições de viagem aos Estados Unidos impostas pelo governo do presidente Donald Trump.

- De bom humor -

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"Apesar das circunstâncias, estou de bom humor e concentrado nos próximos desafios da minha carreira como árbitro", disse o profissional somali em um comunicado enviado à AFP.

"Gostaria de agradecer à Fifa e à CAF [Confederação Africana de Futebol] por todo o seu apoio e prometo manter o meu nível de arbitragem enquanto me concentro no futuro", acrescentou Abdulkadir Artan.

Ele também agradeceu, no comunicado, "à família do futebol pelas mensagens" e desejou aos colegas "o maior sucesso durante a Copa do Mundo".

- Respeitado na África -

Horas antes, Ciise Aden Abshir, alto assessor do Ministério da Juventude e dos Esportes da Somália, havia dito à AFP que o árbitro possuía um visto válido.

"Omar Abdulkadir Artan figura entre os árbitros mais respeitados da África e (...) negar-lhe a entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de arbitrar (...) prejudica não apenas sua pessoa, mas também enfraquece o compromisso do futebol com a equidade, o mérito e o espírito de fair play", lamentou Ciise Aden Abshir.

O árbitro deveria ser o primeiro somali a atuar em uma Copa do Mundo. Aos 34 anos, fazia parte dos 52 árbitros selecionados para apitar partidas do Mundial de 2026, o primeiro organizado por três países e com a participação de 48 seleções.

Detentor do status Fifa desde 2018, Omar Abdulkadir Artan atua na liga somali e foi eleito melhor árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol em 2025.

A Somália está na mira de Trump. No fim de novembro, o presidente americano classificou o país como um "país podre" e manifestou sua intenção de encerrar o status especial que protege cidadãos somalis da deportação.
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