Jarbas Meneghini faz rÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 17/06/2026 06:00 | Atualizado 17/06/2026 10:28
Rio - Há mais de três décadas, Jarbas Meneghini, 58 anos, transformou a paixão pelo futebol em arte ao confeccionar réplicas de troféus esportivos, inclusive da taça da Copa do Mundo. Morador de Campo Grande, na Zona Oeste, o artesão revela que a procura pelas peças aumentou durante o Mundial, sediado, pela primeira vez na história, em três países: México, Canadá e Estados Unidos. Além disso, ressalta a paixão pelo esporte e a torcida pelo Hexa.
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"Para essa Copa, eu preparei 250 troféus e já vendi. Se o Brasil ganhar, vou vender ainda mais", diz Jarbas, ao analisar que a procura pelas réplicas reflete a esperança dos brasileiros na sexta estrela. "Eu acabei de enviar uma [taça] para um shopping. É uma loja pequena e  eles querem fazer uma promoção. Se estão comprando a taça, eles acham que o público que frequenta lá também está acreditando [no Hexa]".
Jarbas também está confiante no título, ao destacar que "tudo pode acontecer" no Mundial. "Eu sempre acredito no título do Brasil. Por isso que todo mundo é apaixonado, porque, na Copa do Mundo, acontece a magia. O futebol já é mágico e, na Copa do Mundo, fica muito mais", opina.
A vontade de fazer réplicas dos troféus surgiu em 1994, ano em que a Seleção foi tetracampeã, por causa da imagem do ex-jogador Dunga erguendo a taça. "Eu me identificava com ele pela dedicação, determinação em campo, força. Eu falei: 'Vou comprar a taça'. Mas não tinha lugar nenhum".
Com a habilidade adquirida durante os anos trabalhando em metalúrgicas e siderúrgicas, Jarbas se arriscou e confeccionou a primeira taça no Mundial seguinte. "Fiz uma na Copa de 98. Na final, o Taffarel defendeu uns pênaltis contra a Holanda. Para comemorar, eu peguei a taça e vim aqui na rua. Tinha muita gente, todo mundo viu. Eles queriam pegar o troféu. Aí aprendi a fazer o molde e fui montando várias", recorda ele .
Já na competição seguinte, em 2002, o artesão presenteou, pela primeira vez, um famoso com uma das réplicas. Neste momento, ele ganhou o apelido pelo qual ficou conhecido. "Encontrei com o Romário lá no São Januário. Ele falou assim: 'Me dá essa taça aí, pô. Eu que fiz os gols'. Entreguei a taça para ele. Foi o primeiro jogador que eu presenteei. E ele falou: 'Jarbas das Taças, né?'. E o nome ficou".
Em seguida, entregou mais troféus para diversos ídolos do futebol, incluindo parte do time tetracampeão, como Bebeto, Ricardo Rocha, Taffarel, Jorginho e mais. Ele também teve a oportunidade de presentear o eterno rei, Pelé (1940-2022), além dos técnicos Zagallo (1931-2024), Carlos Alberto Parreira, Luiz Felipe Scolari, o Felipão, Tite e mais.
Em 2013, o intuito era dar uma taça para Neymar Jr. No entanto, o craque do Santos acabou assinando o troféu. Jarbas, então, decidiu guardar a réplica, que se tornou a favorita da coleção. "O mundo está com 7 bilhões de pessoas e só uma tem a taça autografada. [...] Essa aqui não tem negócio, não. Essa eu não vendo", afirma o artista. O troféu, inclusive, fica protegido por um vidro e só pode ser tocado com luvas. Com diversos elementos do futebol, a fachada e o interior da casa do artista demonstra esse amor. 
Como são feitas?
Ao longo dos anos, Jarbas buscou aperfeiçoar o trabalho ainda mais. Ao comparar réplicas antigas com atuais, ele avalia a evolução, ao detalhar como elas são fabricadas. "Eu as fazia só de gesso, mas quebrava. Aí eu aperfeiçoei. A taça é feita de cimento, argila e barro. Eu misturo em um molde, jogo [dentro dele] e no outro dia tiro de dentro do molde e acerto, tiro as rebarbas". Sem contar o tempo de secagem, cada uma demora cerca de três horas para ficar pronta.
Desde maio deste ano, o artesão aprimorou mais uma técnica. "Fiz um upgrade na taça, porque ela era pintada. E na empresa que eu trabalhava até um mês atrás, consegui metalizá-la. [Agora] ela está espelhada", conta Jarbas.
'A paixão pelo futebol veio primeiro'
Ao fazer uma retrospectiva, ele ressalta o amor pelo esporte. "A paixão pelo futebol veio primeiro. Aqui no Brasil, quando a gente nasce, já ganhamos uma bola. Se é menino, é um dos primeiros presentes. Eu já tinha isso no meu coração desde criança, tentei jogar no Campo Grande Atlético Clube. Eu era muito bom aqui na rua e todo mundo me incentivava a ir para o clube. Só que entre os profissionais e pessoas mais dedicadas, eu era o pior que tinha. Era muito ruim naquele meio", lembra.
A partir disso, ainda na juventude, decidiu se profissionalizar na metalurgia. Após deixar o antigo trabalho, que conciliou com a produção das réplicas até o mês passado, ele pretende se dedicar totalmente à sua arte. A união da paixão pelo esporte e o ofício que aprendeu, inclusive, foi uma grata surpresa. "Acho que foi coisa de Deus. Eu nunca imaginei isso", vibra o artista.
Réplicas
O artesão também faz réplicas do troféu anterior do Mundial, de 1930 a 1970, a Taça Jules Rimet. Além disso, confecciona outros modelos, como a da Libertadores, do Campeonato Carioca, Copa Rio, Campeonato Alemão e muito mais. O maior sucesso entre os torcedores é a taça do Mundial. "A que vende mais é a da Copa do Mundo".
Jarbas, ainda, elabora troféus para campeonatos de rua, bustos de jogadores, bandeiras da olimpíada, réplicas de estatuetas do Oscar e até o capacete do Ayrton Senna (1960-1994). O torcedor alvinegro destaca, ainda, que não tem clubismo ao falar sobre itens comemorativos que confeccionou para os rivais do Fogão. "Eu faço para todos os times. Eu sempre torço para o meu Botafogo ganhar, mas se por acaso ele [for eliminado], tenho que torcer para o Flamengo, porque estou no Rio", revelou o artesão.
Palestras, oficinas e exposições
Jarbas compartilha a história e talento dele ao palestrar em escolas. "Acho muito interessante isso. E eu fico muito feliz de levar o meu conhecimento e de falar da minha paixão. E, se eu conseguir apaixonar mais alguém com isso tudo, é muito bom".
Ele também oferece oficinas na própria casa, transmitindo os conhecimentos que adquiriu: "Todo sábado e domingo, se tiver alguém [interessado] eu sempre faço aqui. A gente explica todo o processo. Eu baixo o nível para o iniciante. Se eu vejo que a pessoa tem paixão, fico muito feliz", diz.
Na sua rua, inclusive, faz a alegria da criançada com as "Olímpiadas do Jarbas". A competição, com várias modalidades, incluindo basquete e tênis de mesa, tem direito a pódio e até cerimônia para a entrega de medalhas.
Algumas de suas réplicas estão expostas no Passeio Shopping, também em Campo Grande, e no Recreio Shopping, na Zona Sudoeste. 
Tocha Olímpica
E a paixão pelo futebol proporcionou momentos especiais, que Jarbas guarda na memória com muito carinho. Em 2016, nos primeiros Jogos Olímpicos realizados na América do Sul, sediados no Rio, o artesão foi uma das pessoas que carregaram a tocha, no Centro Esportivo Miécimo da Silva, no bairro onde ele morou a vida toda.
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