Publicado 28/06/2026 08:00
Estados Unidos - Adversário do Brasil nos 16 avos de final da Copa do Mundo, na próxima segunda-feira (29), o Japão chega embalado por uma geração qualificada e pela consolidação de um projeto que há décadas busca colocar o país entre as principais forças do futebol mundial. Quem acompanhou essa evolução de perto foi Zé Ricardo, ex-treinador de Botafogo, Flamengo e Vasco, que comandou o Shimizu S-Pulse.
Na avaliação do treinador, as diferenças entre Brasil e Japão vão muito além das quatro linhas. Para ele, a cultura é o principal contraste entre os dois países, mas há distinções importantes também na formação dos atletas, na organização dos clubes e campeonatos e na relação de torcedores e imprensa com o esporte.
PublicidadeNa avaliação do treinador, as diferenças entre Brasil e Japão vão muito além das quatro linhas. Para ele, a cultura é o principal contraste entre os dois países, mas há distinções importantes também na formação dos atletas, na organização dos clubes e campeonatos e na relação de torcedores e imprensa com o esporte.
"No Japão, a disciplina tática é muito visível e valorizada. Já no Brasil, o futebol é muito reconhecido pela qualidade técnica e pelo poder de improvisação. Vejo também a intensidade do jogo e a velocidade sendo uma diferença marcante entre o futebol dos dois países", afirmou.
Organização como marca
Para Zé Ricardo, a organização está presente em todos os níveis do futebol japonês, desde o calendário das competições até a relação entre treinadores, jogadores e torcedores. O respeito às regras e aos processos é um dos aspectos que mais chamaram sua atenção durante a passagem pela Ásia.
"Não há dúvidas quanto à tabela, aos critérios e até às punições que clubes e torcidas podem sofrer durante a temporada", explicou. Ele acrescentou ainda que "o treinador é muito respeitado, com menor questionamento de suas decisões".
Outro aspecto que impressionou o brasileiro foi a forma como os japoneses encaram o espetáculo esportivo. Práticas como a cera e o antijogo são amplamente rejeitadas por serem vistas como uma falta de respeito ao público que acompanha as partidas nos estádios ou pela televisão.
"Eles se formam sabendo disso e se sentem pertencentes desse processo todo. Lógico que isso tem muito a ver com a sua cultura formativa, é uma educação milenar, mas teríamos muitos exemplos que poderíamos usar aqui no Brasil pra fazermos um futebol mais 'saudável' em todos os sentidos", ressaltou.
"Não há dúvidas quanto à tabela, aos critérios e até às punições que clubes e torcidas podem sofrer durante a temporada", explicou. Ele acrescentou ainda que "o treinador é muito respeitado, com menor questionamento de suas decisões".
Outro aspecto que impressionou o brasileiro foi a forma como os japoneses encaram o espetáculo esportivo. Práticas como a cera e o antijogo são amplamente rejeitadas por serem vistas como uma falta de respeito ao público que acompanha as partidas nos estádios ou pela televisão.
"Eles se formam sabendo disso e se sentem pertencentes desse processo todo. Lógico que isso tem muito a ver com a sua cultura formativa, é uma educação milenar, mas teríamos muitos exemplos que poderíamos usar aqui no Brasil pra fazermos um futebol mais 'saudável' em todos os sentidos", ressaltou.
O legado do 'Spirit of Zico'
Grande parte dessa mentalidade está ligada ao chamado "Spirit of Zico", conceito que representa os valores deixados pelo Galinho de Quintino desde sua chegada ao Japão, no início dos anos 1990. Mais do que ajudar a popularizar o esporte no país, o ídolo do Flamengo se tornou uma referência de conduta dentro e fora dos gramados.
Na visão de Zé Ricardo, esses ensinamentos ainda sustentam parte importante da identidade esportiva nipônica.
"O futebol japonês sofreu muitas influências do exterior, mas o Zico é, sem dúvida, a maior delas. O profissionalismo, a dedicação, o respeito, a persistência, o espírito de equipe, o respeito às regras e ao adversário são alguns dos aspectos que tornam o nosso Galinho de Quintino tão importante e especial para eles. Uma verdadeira lenda e referência nessa relação", destacou.
Ele também atribui o crescimento recente da modalidade ao chamado Plano de 100 Anos, criado junto à fundação da J-League, em 1992. O projeto previa um intenso intercâmbio com as principais ligas do planeta, algo que hoje se reflete na quantidade de jogadores japoneses atuando na Europa e no amadurecimento da seleção nacional.
Apesar de acreditar na classificação brasileira, Zé Ricardo espera um confronto equilibrado nos 16 avos de final e destaca que os japoneses já não encaram as grandes potências com o mesmo receio do passado.
"Eles respeitam e admiram muito o Brasil, mas não temem como outrora. Como vêm conquistando grandes resultados e avanços no seu jogo, apostando em continuidade e na, sem dúvida, melhor geração de atletas disponíveis, acredito que hoje eles têm condições de disputar de igual para igual com as grandes seleções do mundo, inclusive o Brasil. Mas acho que ainda não será dessa vez", concluiu.
Na visão de Zé Ricardo, esses ensinamentos ainda sustentam parte importante da identidade esportiva nipônica.
"O futebol japonês sofreu muitas influências do exterior, mas o Zico é, sem dúvida, a maior delas. O profissionalismo, a dedicação, o respeito, a persistência, o espírito de equipe, o respeito às regras e ao adversário são alguns dos aspectos que tornam o nosso Galinho de Quintino tão importante e especial para eles. Uma verdadeira lenda e referência nessa relação", destacou.
Ele também atribui o crescimento recente da modalidade ao chamado Plano de 100 Anos, criado junto à fundação da J-League, em 1992. O projeto previa um intenso intercâmbio com as principais ligas do planeta, algo que hoje se reflete na quantidade de jogadores japoneses atuando na Europa e no amadurecimento da seleção nacional.
Apesar de acreditar na classificação brasileira, Zé Ricardo espera um confronto equilibrado nos 16 avos de final e destaca que os japoneses já não encaram as grandes potências com o mesmo receio do passado.
"Eles respeitam e admiram muito o Brasil, mas não temem como outrora. Como vêm conquistando grandes resultados e avanços no seu jogo, apostando em continuidade e na, sem dúvida, melhor geração de atletas disponíveis, acredito que hoje eles têm condições de disputar de igual para igual com as grandes seleções do mundo, inclusive o Brasil. Mas acho que ainda não será dessa vez", concluiu.
*Sob a supervisão de João Alexandre Borges.
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