Rio - Brasil e Japão voltam a se enfrentar em uma Copa do Mundo nesta segunda-feira (29), às 14h (de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos, mas a história desse confronto começou muito antes das duas seleções dividirem um gramado. Desde os anos 1980, o Super Campeões ajudou a construir a ideia de que o Brasil era a maior referência do futebol mundial.
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Criado por Yoichi Takahashi em 1981, o mangá criou uma ligação cultural que atravessou gerações e ajudou a aproximar os dois países pelo esporte. A obra foi responsável por popularizar o futebol no Japão e inspirou gerações de jogadores. Mas, dentro desse universo, nenhuma seleção ocupava um lugar tão especial quanto a brasileira. Na história, o Brasil representa o ápice do futebol mundial.
O mangá conta a história de Oliver Tsubasa, que sonha em viajar para aperfeiçoar seu talento. Mais do que disputar uma Copa do Mundo, seu grande objetivo na adolescência é vestir a camisa do São Paulo e jogar no futebol brasileiro. O personagem principal é inspirado em Kazuyoshi Miura e Musashi Mizushima, o primeiro jogador japonês a jogar no Brasil, na década de 1970, pelo São Paulo.
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Roberto "Maravilha" Hongo, o mentor de Tsubasa
Um dos principais personagens da série é Roberto Hongo, conhecido no Brasil como Roberto Maravilha. Na história, ele é um personagem inspirado em Sócrates, mas tem uma história semelhante com a de Tostão. Assim como o campeão mundial de 1970, Roberto precisa interromper precocemente a carreira por causa de um problema grave na visão, justamente o motivo que o leva ao Japão.
Durante a carreira, Roberto Maravilha atuou no Brancos, referência ao São Paulo, que é o clube brasileiro referência da história. Ex-camisa 10 da seleção brasileira e descendente de japoneses, ele vai ao Japão para tratar o problema na retina e acaba descobrindo o talento de Oliver Tsubasa. Então, ele se torna o mentor do jovem craque japonês e desperta o desejo em atuar no Brasil.
Mentor de Oliver Tsubasa, Roberto Maravilha é inspirado em Sócrates e TostãoReprodução
Carlos Santana, o maior rival de Tsubasa no Brasil
Apesar de talentoso, Oliver Tsubasa encontra no Brasil um dos maiores desafios da carreira. O seu principal adversário é Carlos Santana, personagem inspirado em Romário e que atua no Flamengo. Criado na pobreza e transformado em um jogador quase mecânico, ele tem como principal característica ser obcecado apenas pela vitória.
Além disso, Carlos Santana representa outro estereótipo bastante presente na visão japonesa sobre o futebol brasileiro: o talento lapidado nas ruas, capaz de surgir mesmo em meio às maiores dificuldades sociais. Sua relação com Tsubasa é o grande motor de sua evolução como jogador, com confrontos históricos entre Brasil e Japão.
Carlos Santana é um personagem que joga no FlamengoReprodução
Rivaul, o ídolo de Tsubasa
Já na fase adulta do mangá, surge Rivaul. O personagem é uma clara referência a Rivaldo, um dos grandes astros do futebol na década de 1990. Na história, ele é considerado o melhor jogador do mundo e principal referência técnica da seleção brasileira. Suas características reúnem atributos de diversos camisas 10 que fizeram história pelo Brasil.
Rivaul se torna o ídolo de Oliver Tsubasa. Na história, ele jogam juntos no FC Catalunha, clara alusão ao Barcelona. Apesar de companheiros de equipe e da relação entre fã e ídolo, eles disputam posição. Rivaul é o melhor jogador do mundo na trama, enquanto Tsubasa busca conquistar o próprio espaço. Mesmo com a disputa, o brasileiro atua muitas vezes como "mentor".
Rivaul é inspirado em RivaldoReprodução
Episódio final tem duelo entre Japão e Brasil
A admiração de Yoichi Takahashi pelo Brasil nasceu ainda durante a Copa do Mundo de 1978. Fascinado pelo estilo ofensivo e técnico da seleção brasileira, o autor decidiu transformar o país em uma espécie de "Meca do futebol" dentro de sua obra. Por isso, os confrontos contra o Brasil sempre carregou um peso simbólico para os japoneses.
No Super Campeões, enfrentar o Brasil ou jogadores brasileiros representava o teste definitivo para qualquer atleta que sonhasse em chegar ao topo do futebol mundial. No episódio final, o confronto entre Japão e Brasil retrata o encerramento da história. Nele, Oliver Tsubasa olha para o time do Brasil, reconhecendo companheiros e seu ex-técnico.
Brasil é a grande inspiração do futebol japonês em Super CampeõesReprodução
Oliver Tsubasa foi inspirado em japoneses
Embora Super Campeões seja uma obra repleta de referências ao futebol brasileiro, o protagonista Oliver Tsubasa não foi inspirado diretamente em um craque da Seleção. Segundo o próprio criador do mangá, Yoichi Takahashi, a principal inspiração para o personagem foi Kazuyoshi Miura, o lendário "King Kazu", considerado um dos maiores nomes da história do futebol japonês.
Mas há outro jogador que inspirou a história de Oliver Tsubasa. Trata-se de Musashi Mizushima. Embora Takahashi nunca tenha apontado Musashi como inspiração direta para o protagonista, a trajetória do primeiro japonês a atuar profissionalmente no Brasil abriu caminho para que jovens japoneses enxergassem o país do futebol como um destino possível.
Musashi Mizushima inspirou o personagem Oliver TsubasaDivulgação / São Paulo
No dia 10 de abril de 1975, Musashi foi aprovado na categoria de base do São Paulo. Com isso, se tornou o primeiro jogador de japonês a jogar no Brasil. No Japão, ficou conhecido como "Asas de Ícaro". O potencial e a história do jovem atleta logo chamaram a atenção. A TV Asahi, principal emissora japonesa na época, gravava e exibia "episódios" do dia a dia do menino para mostrar a evolução.
Em 1978, foi promovido à categoria Juvenil C, para atletas de até 16 anos, embora tivesse apenas 14. Em 4 de novembro de 1984, obteve a naturalidade brasileira. O primeiro contrato profissional foi assinado em 3 de setembro de 1984. Com isso, passou a integrar o time de aspirantes do São Paulo. Musashi estreou e fez o único jogo pelo clube em um amistoso contra o Bragantino, em 21 de abril de 1985.
Inazuma Eleven
Além de Super Campeões, outro anime também fez referências ao futebol e à cultura do Brasil. Criado por Akihiro Hino, Inazuma Eleven, mais conhecido no Brasil como Super Onze, teve seu primeiro jogo lançado para Nintendo DS em agosto de 2008 e seu primeiro episódio exibido em outubro do mesmo ano.
A história acompanha o goleiro Mark Evans (Endou Mamoru, no original), capitão da Escola Raimon, que reúne novos jogadores para reconstruir o time do colégio e enfrentar adversários cada vez mais fortes. Ao longo da trama, as partidas são marcadas por técnicas especiais com poderes sobrenaturais. Em determinado momento da animação, alguns atletas, incluindo o protagonista, são convocados para disputar a Football Frontier International (FFI), torneio que funciona como uma Copa do Mundo. Nela, aparecem seleções inspiradas em diversos países, entre elas a brasileira, representada pela equipe The Kingdom (O Reino).
Mac Roniejo, Capitão da equipe
A principal referência da seleção brasileira é o capitão Mac Roniejo. O personagem é inspirado em Ronaldinho Gaúcho, tanto pelo nome quanto pelo estilo de jogo, baseado em dribles, criatividade e jogadas plásticas. Além do nome e da forma de atuar, o visual do personagem também lembra o do ex-jogador brasileiro.Mac Roniejo, Capitão do The KingdomReprodução
Técnicas inspiradas na cultura brasileira
Além dos personagens inspirados em jogadores brasileiros, Inazuma Eleven também faz referências ao país por meio das técnicas especiais utilizadas pela seleção The Kingdom. Os golpes combinam elementos do futebol com símbolos tradicionalmente associados ao Brasil, como o samba e a Amazônia.
Olé Samba é uma das técnicas coletivas mais conhecidas da equipe. Os jogadores executam movimentos inspirados no ritmo musical enquanto trocam passes e driblam os adversários, em uma clara referência ao Carnaval. Além disso, o principal chute de Mac Roniejo é o Strike Samba, que também faz alusão ao samba e ao Carnaval.
Capoeira snatchReprodução
Outra técnica é o Super Elástico, um drible inspirado no movimento eternizado por Ronaldinho Gaúcho. No anime, a técnica é utilizada pelo atacante Gato Carvalho durante a semifinal contra o Japão. Já a tática coletiva Amazon River Wave faz referência ao Rio Amazonas. Nela, os jogadores se movimentam pelo campo como a correnteza de um rio.
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