Gonçalves fez parte da Seleção que disputou a Copa do Mundo de 1998Reprodução / TV Globo
Publicado 05/07/2026 09:30
Rio - Brasil e Noruega vão medir forças pela segunda vez em uma Copa do Mundo. O primeiro encontro entre as duas seleções no torneio aconteceu em 1998, e os europeus venceram por 2 a 1, pela fase de grupos. Bebeto abriu o placar, mas Tore Andre Flo e Kjetil Rekdal viraram o jogo. Quem também esteve em campo foi o ex-zagueiro Gonçalves, que conversou com O DIA e relembrou aquela partida.
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"A Noruega acabou se classificando naquele jogo. Nós já estávamos classificados e sabíamos da dificuldade que seria o jogo, porque um ano antes a gente tinha jogado contra eles num amistoso e tínhamos perdido por 4 a 2. Eles tinham na época um atacante que era o Tore Andre Flo. Esse atacante tinha feito gols na gente lá em Oslo".
"A preocupação nossa era com o jogo aéreo deles que era muito forte por serem muito altos. O Júnior Baiano ia marcá-lo, e eu ia fazer a sobra. Perdemos o jogo, mas não causou nenhum tipo de frustração na gente em função de já estarmos classificados. De imediato viramos a chave para pensar no jogo das oitavas de final".
Gonçalves em ação contra a Noruega - Reprodução / TV Globo
Gonçalves em ação contra a NoruegaReprodução / TV Globo

Tore Andre Flo x Haaland

Tore Andre Flo, que tem mais de 1,90 m, brilhou naquele jogo da Copa do Mundo de 1998. Afinal, ele anotou o gol do empate e sofreu um pênalti na reta final de partida. Kjetil Rekdal foi para a cobrança, superou Taffarel e colocou os europeus em vantagem.
Atualmente, a seleção da Noruega também tem um grande centroavante como referência no ataque: Erling Haaland, que assim como Tore Andre Flo, tem mais de 1,90 m. 
"A única semelhança que eu vejo é que o time da Noruega naquela época jogava para o Tore Andre Flo, porque ele era um jogador muito alto, não era rápido, mas era habilidoso. Ele era goleador. Hoje em dia a Noruega joga para o Haaland. A diferença é que o Haaland, além de ser alto e forte, é rápido, é muito veloz quando arranca".
"Apesar da nossa zaga hoje jogar em linha, acho que para o jogo da Noruega eles vão ter que ter um cuidado maior de um dos dois zagueiros fazer um pouco a sobra para evitar que o time da Noruega possa usar esse tipo de jogada ofensiva, que é a bola metida entre a zaga para o Haaland ganhar na velocidade no facão".
Haaland é um dos grandes destaques do Manchester City e da seleção norueguesa. Nesta Copa do Mundo, ele disputou três partidas e já soma cinco gols marcados.
"Acho que a estratégia é essa, procurar fazer a marcação individual de um dos zagueiros e o outro zagueiro fazer uma sobra de dois, três metros diagonal em relação à origem da jogada. Se a jogada vem pela direita, o atacante está na esquerda para fazer o facão. O zagueiro do lado esquerdo recua para tirar essa linha de passe diagonal entre os dois zagueiros. Com isso, você acaba impedindo que eles possam realizar esse tipo de jogada".
"É uma jogada letal. Quando vem pela direita, ele se posiciona na esquerda e faz o facão nas costas do zagueiro ou entre os dois zagueiros. Quando a bola vem pela esquerda, o mesmo movimento do outro lado. Tem que ficar esperto, principalmente a marcação no meio de campo também. Os jogadores têm que pressionar o homem que está com a bola no meio de campo para evitar que ele possa achar esse passe para o Haaland".

Dupla de zaga do Brasil

Gonçalves tem acompanhado a Copa in loco e assistiu no estádio aos jogos do Brasil contra Escócia e Haiti. Na entrevista, ele fez duas ressalvas, mas avaliou positivamente o Mundial de Marquinhos e de Gabriel Magalhães, dupla titular da Seleção.
"Pude assistir já a dois jogos do estádio. Prestei bastante atenção no posicionamento deles. Até agora eles têm feito uma excelente Copa do Mundo. Só tiveram dois erros que posso dizer que poderiam ter evitado. O erro desse jogo do Japão que o Gabriel Magalhães recuou muito ao invés de sair para diminuir o espaço do jogador japonês que estava conduzindo a bola em direção ao gol do Brasil".
"Ele foi recuando e esperou o chute à distância, deveria ter saído e ir de encontro ao jogador para diminuir o espaço e não deixá-lo chutar. E teve o primeiro gol que nós sofremos, contra Marrocos, que foi essa bola metida entre os dois zagueiros. O atacante de Marrocos conseguiu penetrar entre os dois e tocar a bola por cima do Alisson. No geral, tirando esses dois erros, eles têm feito uma boa Copa do Mundo e têm jogado muito bem".

Tabu em jogo

Brasil e Noruega vão medir forças neste domingo (5), a partir das 17h (de Brasília), em Nova Jersey, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Este será o quinto confronto na história entre as seleções.
Até aqui, são dois triunfos dos europeus e dois empates. Esse tabu de nunca ter vencido a Noruega não coloca uma pressão a mais para a Seleção, na avalição de Gonçalves.
"São outros jogadores, outro tempo, eles vão estudar a seleção da Noruega normalmente, como fazem com todos os adversários, vão fazer o plano de jogo em função também dos pontos fortes da Noruega, eles devem estudar isso. Copa do Mundo, em mata-mata, se decide com talento dos jogadores".
"Por isso que os que têm qualidade para decidir ou os que são responsáveis para fazer os gols, quando estiverem com a bola no pé, têm que arriscar, têm que fazer valer a qualidade técnica deles, a habilidade, é isso que vai decidir jogo".
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