Copa do Mundo 2026 - Bar dos Cornos, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
Publicado 05/07/2026 11:00 | Atualizado 05/07/2026 12:38
Pelas oitavas de final da Copa do Mundo, Brasil e Noruega medem suas forças hoje, às 17h (de Brasília), em um duelo que só quem tem a galhada mais forte conseguirá sobreviver. Do lado norueguês, o time de Haaland tenta afugentar o Canarinho com os famosos chifres vikings. Mas brasileiro que é bom não amolece para ninguém e também tem chifrudos em quem pode confiar.
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Sofredores e resilientes, os cornos já conhecem o peso da desilusão e são figuras obrigatórias em conversas de boteco e em mesas de bar, como o Bar Clube dos Cornos, localizado no Centro de Niterói. Em entrevista ao O DIA, o dono do estabelecimento, Assis Almeida, mostrou-se confiante na vitória e garantiu que, quando o assunto é chifre, os brasileiros têm muito mais intimidade.
"O chifre do brasileiro é mais violento. Nós vamos ganhar! Vão aparecer muitos cornos e chifrudos aqui, aí vamos dar umas chifradas nos caras (noruegueses) e vamos ganhar! Vai ser 4 a 1 para o Brasil. Neymar vai entrar e vai fazer um, Vini Jr vai fazer dois e vai ter um gol de zagueiro", garantiu Assis.
Se no duelo dos chifrudos o fator histórico fizer a diferença, então os cornos do Brasil levam vantagem, afinal o elmo de galha eternizado no imaginário dos vikings não passa de uma farsa. Hoje incorporado como símbolo dos guerreiros escandinavos, o chifre é, na verdade, uma retratação errônea daquele povo, que jamais usou chapéus com galhadas em batalhas.
Já a origem do chifre dos cornos possui diversas teorias e nenhum consenso. Uma das hipóteses é que está associada ao comportamento de animais como bois e carneiros, que, ao se verem traídos por suas fêmeas, colocavam-se em posição de ataque e 'chifravam' os rivais.
Seja no bar, nas arquibancadas ou na frente da televisão, nesta tarde, todos os brasileiros — cornos ou não — têm somente uma coisa na cabeça: vencer e fazer os chifrudos noruegueses remarem de barquinho de volta para o seu país.
Chifrada trocada não dói
Muito conhecido na região do Centro de Niterói, o Bar Clube dos Cornos, ou somente Bar do Corno para os mais chegados, funciona o dia inteiro e atrai gente de todas as idades. Uma das clientes mais antigas do local é Marilene Moraes, de 68 anos, que chegou à cidade em 1972 e já frequenta o bar há 30 anos, muito antes até do que os proprietários atuais.
"Eu sou veterana de guerra aqui. Com esse (Assis) já são seis donos (desde que passou a frequentar o bar). Aqui é o point", atestou, de bom humor, Marilene, que ainda afirmou de maneira bem direta que já deu o troco em uma situação de traição.
"Bala trocada não dói. Paguei na mesma moeda".
Quem também passou a frequentar o Bar Clube dos Cornos é Larissa da Costa, de 25 anos. Ela conta que o clima mais familiar do lugar e da clientela chamou a sua atenção e desde então não largou mais.
"Aqui é um bar de família. Não tem confusão. E a maioria (dos clientes) é de frequentadores antigos, pessoas que estão sempre aqui. Eu tinha outra visão do bar, mas mudei desde que passei a frequentar. Agora, costumo vir aqui de tarde e volto só à noite", declarou a jovem.
Perguntada se já havia botado chifres em alguém ou levado, Larissa despistou, mas afirmou que também deu o famoso 'chumbo trocado'.
"Claro! Dei o troco. E foi bem na cara dele. Ele viu. Não sou boba nem nada", concluiu.
 
*Reportagem do estagiário Gustavo Fernandes sob supervisão de Danillo Pedrosa
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