Publicado 16/04/2025 10:10
Rio - O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi indiciado pela Polícia Federal, nesta terça-feira (15), por ter forçado um cartão amarelo e ter beneficiado apostadores em jogo contra o Santos, pelo Brasileirão de 2023. Além do jogador, mais nove pessoas foram indiciadas por participação nas apostas.
PublicidadeO relatório de 84 páginas da Polícia Federal foi entregue ao Ministério Público do Distrito Federal, que vai decidir se o atleta se tornará réu. A investigação encontrou troca de mensagens de Bruno Henrique com o seu irmão Wander Nunes Pinto Júnior, dois meses antes do jogo contra o Santos.
"O tio está com 2 cartão no Brasileiro?", perguntou Wander. "Quando o pessoal mandar tomar o 3, liga nós hein", disse após o jogador confirmar que estava pendurado.
"Contra o Santos", respondeu Bruno Henrique.
Bruno Henrique e o irmão Wander começaram a articular o plano em agosto de 2023. Em outubro, uma nova conversa entre os irmãos trata sobre o recebimento do cartão. Em imagens divulgadas pelo "ge", o jogador transfere R$ 10 mil para o irmão.
" Aí lembra a parada que você me perguntou um tempo atrás", perguntou Bruno Henrique.
"Do que?", respondeu Wander, antes da conversa ser interrompida por uma ligação do jogador do Flamengo.
O irmão de Bruno Henrique apostou R$ 3 mil para Bruno Henrique receber cartão amarelo contra Santos, com previsão para ganhar R$ 12 mil. Entretanto, o dinheiro foi bloqueado pela casa de aposta por suspeita. Em conversa com o jogador mais de um mês depois do jogo, Wander explicou a situação.
"No dia que você me deu a ideia do cartão, eu apostei R$ 3 mil para ganhar R$ 12 mil. Só que até hoje eles (a casa de apostas) não pagou, eles colocou a aposta sobre análise e o dinheiro está todo preso lá. Aí estava pensando, me ajuda nessa aí com R$ 10 mil só para resolver minhas coisas até esse dinheiro sair", disse.
Entenda o caso
Bruno Henrique foi indiciado pela Polícia Federal, nesta terça-feira (15), por supostamente forçar um cartão amarelo e beneficiar apostadores, contra o Santos, pelo Brasileirão de 2023. O jogador foi indiciado no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que fala em "fraudar, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado".
Além do jogador do Flamengo, também foram indiciados o irmão Wander Nunes Pinto Júnior, Ludymilla Araújo Lima, esposa de Wander, e a prima Poliana Ester Nunes Cardoso. Bruno Henrique e o irmão vão responder por fraude, enquanto o restante por estelionato. Existe ainda um segundo núcleo de apostadores sob investigação, que seriam amigos do irmão do jogador.
O Ministério Público do Distrito Federal recebeu o relatório de 84 páginas da Polícia Federal e deve formalizar a denúncia contra o atacante do Flamengo nas próximas semanas. A expectativa é de que a denúncia possa ser oferecida até o fim de abril ou começo de maio, para que a Justiça do Distrito Federal decida se tornará o atleta réu.
As investigações começaram em agosto do ano passado. Três casas de apostas alegaram movimentações suspeitas relacionadas ao cartão amarelo recebido por Bruno Henrique. Uma delas apontou que 98% de todas as apostas de cartões daquela partida foram direcionadas para o jogador do Flamengo.
Apesar da investigação desde o ano passado, o Flamengo não afastou Bruno Henrique. O caso chegou ao STJD em agosto, mas o órgão alegou que os relatos "não eram suficientes" para a instauração de um inquérito. Agora, a Procuradoria solicitou à Polícia Federal o compartilhamento do relatório.
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