Bruno Henrique acompanha o julgamento de forma virtualReprodução/YouTube STJD
Publicado 04/09/2025 10:07 | Atualizado 04/09/2025 13:05
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julga Bruno Henrique, desde a manhã desta quinta-feira (4), pela acusação de manipulação de partida. O atacante do Flamengo é suspeito de ter tomado um cartão amarelo contra o Santos, em novembro de 2023, que beneficiou apostadores, entre eles familiares.
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Bruno Henrique está presente de maneira online na sessão da Primeira Comissão Disciplinar do Tribunal.  Participam de sua defesa os advogados do atacante, Alexandre Vitorino, e do Flamengo Michel Assef Filho e Flavio Willeman, que também é vice do clube.

O julgamento no STJD tem pedido de anulação

As defesas de Flamengo, Bruno Henrique, Claudinei e Douglas pediram a prescrição da pretensão do caso, o que anularia o julgamento. Eles argumentaram que o prazo para a denúncia deveria ter sido feita em até 60 dias a partir do fato, ou seja, quando houve a notícia de infração feita pela CBF, em agosto de 2024, e o processo foi arquivado por falta de provas à época.
O advogado do clube, Michel Asseff Filho, ainda argumentou que o prazo de 60 dias já estaria encerrado também se fosse considerada a instauração de inquérito, em maio deste ano. Já a Procuradoria do STJD defendeu que houve novas provas enviadas pelo MP do Distrito Federal, que mudaram o processo e atrasaram o relatório final.
O pedido foi rejeitado por 3 votos a 2. O relator votou contra o pedido das defesas, ao afirmar que o prazo só poderia ser considerado a partir do momento do compartilhamento das provas do inquérito policial. Pelas contas dele, passaram-se 58 dias. O voto foi seguido pelos auditores William Figueiredo e Carolina Ramos, enquanto Guilherme Martorelli e o presidente da comissão, Marcelo Rocha, votaram a favor da prescrição.

Relatório aponta troca de conversas entre jogador e irmão

Antes, o relator Alcino Guedes, leu o processo do caso e citou as conversas entre Bruno Henrique e Wander num aplicativo de troca de mensagens, incluídas no inquérito da Polícia Federal. Essa é a principal prova do julgamento, já que nelas, os dois combinam quando o atacante iria receber o cartão amarelo e falam sobre valor a apostar.
O relator também afirmou que o atacante do Flamengo não cometeu apenas uma conduta isolada. Ele ainda pediu que as penas aplicadas sejam expandidas ao domínio internacional, o que é previsto no Código Disciplinar da FIFA 2025. E confirmou que quatro testemunhas foram dispensadas porque pediram para permanecer em silêncio.

Já o procurador Caio Porto Ferreira criticou as empresas de apostas que não contribuíram para as investigações do STJD com informações de dado, e chamou-as de "vítimas desinteressadas".

A denúncia contra Bruno Henrique

O jogador do Flamengo foi denunciado nos artigos 243 § 1ª (atuar deliberadamente, de modo prejudicial à equipe que defende, com agravante de promessa de vantagem indevida) e 243-A (Atuar, de forma contrária à ética desportiva) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
Caso seja punido, ele pode pegar dois anos de suspensão, além de outras 24 partidas, e multa de até R$ 200 mil. Por ser em primeira instância, o resultado do julgamento não é definitivo, já que tanto jogador quando procuradoria poderão recorrer no Pleno.
Julgamento de Bruno Henrique - Reprodução/YouTube STJD
Julgamento de Bruno HenriqueReprodução/YouTube STJD
 

Quem o STJD vai julgar

Além de Bruno Henrique, o irmão do jogador Wagner Nunes Pinto Júnior também vai a julgamento no STJD. Outros três acusados de serem apostadores do caso, Claudinei Mosquete Bassan, Andryl Sales Nascimento e Douglas Ribeiro Barcelos também respondem ao Tribunal.

Atacante do Flamengo também é alvo da Justiça 

O jogador do Flamengo tornou-se alvo de inquérito da Procuradoria do STJD após relatórios de monitoramento do mercado de apostas indicarem movimentação incomum para o cartão amarelo que ele recebeu nos acréscimos do jogo contra o Santos, pelo Brasileirão de 2023.
Bruno Henrique, que nega as acusações e se diz inocente, também virou réu na Justiça Comum, com base nas investigações realizadas pela Polícia Federal. Ele será julgado no Distrito Federal pelo artigo 200 da Lei Geral do Esporte, com pena prevista de dois a seis anos de prisão, caso seja considerado culpado.
O atacante foi denunciado pelo Ministério Público do DF junto ao irmão e outras sete pessoas. As investigações apontaram que, em uma conversa com Wander, o atacante do Flamengo contou que iria receber o terceiro cartão amarelo, para cumprir suspensão na partida seguinte.
O aumento nas apostas de cartão amarelo para Bruno Henrique chamou a atenção das casas de apostas, que acionaram a Polícia Federal. A apuração teve início em agosto de 2024.
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