Crônica do Jornal O Dia sobre a a vitória do Fluminense por 1 a 0 sobre o Bayern de MuniqueErica Martin / Agência O Dia
Publicado 17/06/2025 07:00
Dias antes da estreia no Mundial de Clubes contra o Borussia Dortmund, nesta terça-feira (17) às 13h (de Brasília), em Nova Jersey, o Fluminense completou 50 anos de uma vitória sobre outro adversário alemão que ficou marcada para muitos torcedores. O 1 a 0 da Máquina Tricolor sobre o poderoso Bayern de Munique encantou os presentes no Maracanã, entre eles estavam o casal Itala e Antonio Almeida, que agora sonha com um novo triunfo para encantar o mundo.

Oito campeões de Copa do Mundo em campo

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Estreia de Paulo Cézar Caju no Fluminense foi contra o Bayern de Munique de BeckenbauerFlu-Memória
Naquele 10 de junho de 1975, uma nova engrenagem da máquina estreou, Paulo Cézar Caju, para formar o quarteto tricampeão da Copa de 1970, junto a Rivellino, Marco Antônio e Felix. E o desafio foi à altura, já que o bicampeão europeu era base da seleção alemã que conquistara o mundo em 1974, com Beckenbauer, Gerd Muller, Sepp Maier e Schwarzenbeck.
"Foi uma loucura, não sabíamos da grandeza que era jogar com um time daquela qualidade. Imagina hoje, trazer um time desse... É impossível, não tem nem chance. Foi um entusiasmo muito grande, por isso que a gente participou naquele dia", disse seu Antônio, aos 77 anos.
"Naquela época, isso era uma novidade muito grande, um time estrangeiro, em alta. Então a vibração foi muito, mas muito grande mesmo", recordou dona Itala, de 75 anos, segundo ela mesma, tricolor 'desde o útero'.
Edição do Jornal O Dia de 10 de junho de 1975, sobre o amistoso entre Fluminense e Bayern de Munique  - Erica Martin / Agência O Dia
Edição do Jornal O Dia de 10 de junho de 1975, sobre o amistoso entre Fluminense e Bayern de Munique Erica Martin / Agência O Dia
Eles foram duas das 60.100 pessoas que pagaram para estar na partida, disputada numa terça-feira e com transmissão de TV. E viram um show do Fluminense, que dominou do início ao fim e venceu com um gol contra de Müller, em chute de Kleber, após jogada de Rivellino com direito ao famoso elástico.
O jornal O Dia, na época, citou, no dia do jogo, uma declaração do técnico Dettmar Cramer avisando: "Viemos aqui para manter o nosso prestígio", apesar do desgaste de fim de temporada e da longa viagem ao Brasil na véspera. Mas não foi o que se viu em campo.

Domínio no Maracanã

A crônica do dia seguinte diz que "o Bayern, a rigor, só teve uma chance de gol" e "os alemães tiveram sorte em vários lances". E escolheu como destaques Rivellino porque "conseguiu criar boas jogadas e chutar inúmeras vezes a gol" e o goleiro Sepp Maier por "praticar boas defesas".
"Foi uma verdadeira exibição. Mario Sergio e Cafuringa eram os pontas e estavam inspiradíssimos, um de cada lado. Foi uma festa, nós comemoramos muito. Bayern era a base da seleção alemã e o Fluminense ganhou deles, é quase inacreditável", afirmou Antônio, que guarda com carinho a lembrança desse jogo entre os mais de 1.200 jogos assistidos do Tricolor, no Maracanã, contabilizados em cadernos desde a infância.
"Comemoramos muito. Eu acho que nós comemoramos tanto, que nosso filho nasceu nove meses e três dias depois. Foi uma coisa que não estávamos acostumados, foi um acontecimento", brincou Itala.
Capa do Jornal O Dia de 11 de junho de 1975 destaca a vitória do Fluminense sobre o Bayern de MuniqueErica Martin / Agência O Dia

O 'nascimento' da Máquina Tricolor

Apesar do adversário, eles contam que foram ao Maracanã confiantes na vitória. E diante da exibição e da vitória sobre um grande adversário, a torcida do Fluminense se empolgou e viu que a Máquina Tricolor poderia fazer história, como acabou fazendo.
"A gente só teve confirmação a impressão de que estávamos formando um grande time, capaz de jogar contra qualquer time e seleção. Foi ponto de partida, vamos dizer, pra gente saber do tamanho do nosso time. Aquele jogo foi quase que um ápice da gente achar que era bom num contexto mundial, até fora do Brasil", disse Antonio.
Dona Ítala e Antônio vão juntos ao Maracanã há décadas e estiveram presentes em Fluminense 1x0 Bayern de MuniqueArquivo Pessoal

Confiança no Fluminense no Mundial de Clubes

Quis o destino que a estreia no Mundial de Clubes seja contra outro alemão, 50 anos depois daquela vitória. O Borussia Dortmund pode não ter um time do tamanho que era aquele Bayern, mas o abismo financeiro o coloca como grande favorito.
O que não significa que o casal tricolor não deixará de acreditar no Fluminense nesta terça-feira, assim como foi em 1975.
"A certeza era muito maior naquela época, mas eu sempre acho que o Fluminense vai ganhar. Então, eu espero que tenha um papel muito importante nesse torneio. E que comece com essa vitória. Porque nada é impossível", completa dona Ítala.

Curiosidade sobre Fluminense x Bayern de Munique

O amistoso contra a equipe alemã chamou a atenção e gerou grande repercussão. Para aproveitar aquele momento, o Fluminense fez um acordo para divulgar o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). E assim, disputou a primeira partida com um patrocínio no uniforme, segundo o Flu-Memória, ao estampar a marca do programa de alfabetização do governo federal durante a Ditadura Militar nas costas da camisa e no calção.
O time titular do Tricolor naquela partida no Maracanã foi: Félix; Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário, Kleber e Rivellino; Cafuringa, Paulo Cézar Caju e Mário Sérgio. Carlos Alberto Parreira era o técnico.
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