Publicado 07/04/2026 07:00
Rio - Campeão da Libertadores em 2023, o Fluminense volta a disputar a competição após dois anos e busca o bicampeonato continental. O Tricolor estreia contra o novato Deportivo La Guaira, da Venezuela, nesta terça-feira (7), às 19h (de Brasília), no Estádio Olímpico de la Universidad Central, em Caracas, em um confronto que coloca frente a frente a diferença técnica e econômica do futebol brasileiro.
PublicidadeFavorito no Grupo C, o Fluminense tem um elenco avaliado em 112,6 milhões de euros (cerca de R$ 670 milhões) e é o quinto clube mais valioso da fase de grupos, enquanto o Deportivo La Guaira é avaliado em apenas 7,5 milhões de euros (R$ 44,6 milhões) e fica à frente apenas do Always Ready, da Bolívia. Apenas Martinelli, com preço estipulado em 16 milhões de euros (R$ 95,1 milhões), vale mais.
Apesar do favoritismo do Fluminense, que participa pela 11ª vez na história, a Libertadores costuma ser traiçoeira. Fundado em 2008, o Deportivo La Guaira é um dos novatos da competição, mas já constrói uma história sólida no futebol nacional. Em menos de 20 anos, já conquistou um título do Campeonato Venezuelano (2020) e três Copas da Venezuela (a última em 2024).
Solidez defensiva é a chave do Deportivo La Guaira
No ano passado, o Deportivo La Guaira liderou a primeira fase do Apertura e do Clausura do Campeonato Venezuelano, mas ficou em segundo na segunda fase e não conquistou o título. Já neste ano, ocupa o segundo lugar na competição, apenas dois pontos atrás do líder. Porém, é o único time invicto, com cinco vitórias e cinco empates em dez jogos. No período, fez 11 gols e sofreu quatro, tendo a melhor defesa.
"É um time que demonstra solidez na defesa. A organização tem sido fundamental na luta pela liderança do Torneio Apertura da Venezuela. A conexão entre os jogadores recentemente convocados para a seleção venezuelana (Cristóvão Varela e Diego Osio) juntamente com o experiente Carlos Rivero é a chave para que a equipe ostente o melhor desempenho defensivo do torneio", disse Pablo Rondón, jornalista do canal oficial da Liga FUTVE em entrevista ao DIA.
Rondón, que é especialista na cobertura do Deportivo La Guaira, também destacou a velocidade e o poder ofensivo dos laterais: o jovem Luis Casimiro Peña na direita e o panamenho Jorge Gutiérrez, que deve disputar a Copa do Mundo, na esquerda. Além disso, também destacou a qualidade do time venezuelano no trabalho com a bola, mesmo tendo uma diferença dos trabalhos do argentino Héctor Bidoglio em comparação com o antecessor Juan Domingo Tolisano.
"A posse de bola também é fundamental para La Guaira, embora não seja tão acentuada quanto no ciclo anterior sob o comando de Juan Domingo Tolisano, atual técnico da seleção venezuelana sub-20. O La Guaira era o time que dominava a posse de bola por mais tempo, mas agora busca fazer isso sem tanto controle centralizado e tenta ser uma equipe mais explosiva e equilibrada em todas as linhas", completou.
Falta de contundência no ataque é um problema
Se por um lado o Deportivo La Guaira é dono da melhor defesa do Campeonato Venezuelano, por outro tem um dos piores ataques. Em dez jogos, marcou apenas 11 gols. O líder Universidad Central, por exemplo, fez 21. O time comandado por Héctor Bidoglio cria quase duas chances claras por partida (1.7) de acordo com o "SofaScore", mas converte praticamente uma (1.1).
O ataque do Deportivo La Guaira supera apenas os últimos três colocados do Campeonato Venezuelano, que marcaram oito vezes cada um. Porém, os defensores tricolores vão precisar prestar atenção no colombiano Flabián Londoño, autor de quatro gols. O elenco do time venezuelano ainda conta com veteranos como os venezuelanos Anthony Uribe e José Alí Meza, que ainda não deslancharam na temporada.
"Até o momento, o time tem demonstrado falta de objetividade no ataque, ficando aquém da sua meta de gols, apesar de criar diversas oportunidades de gol por jogo. Embora o ataque conte com o colombiano Flabián Londoño como artilheiro, faltam outros jogadores que possam contribuir igualmente. No entanto, há experiência no setor, com veteranos como Anthony Uribe (35 anos) e José Alí Meza (34, quase 35). É uma questão de eles se tornarem mais produtivos e contribuírem com mais gols", ressaltou Rondón.
Joia do meio-campo é o destaque do La Guaira
Embora tenha um dos elencos menos valiosos da fase de grupos da Libertadores, isso não significa que o Deportivo La Guaira não tenha suas joias. O meio-campista José Correa, de 20 anos, é o principal destaque da equipe. Pilar do sistema do técnico Héctor Bidoglio, o camisa 27 atua como um box-to-box, sendo fundamental tanto na defesa quanto no ataque.
"Às vezes é difícil destacar um jogador em particular, mas sem dúvida, o meio-campista José Correa é quem realmente brilha na equipe. Com apenas 20 anos, ele possui uma habilidade crucial para roubar bolas no meio-campo do La Guaira, além de um chute de longa distância que aterroriza os goleiros adversários. Ele é um "diamante bruto", como os jovens talentos costumam ser chamados por aqui, e espera-se que em breve ele esteja jogando no exterior", finalizou.
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