Treinador de Cássia Moura, Bruno Bastos esteve no projeto social onde a atleta, hoje campeã do UFC BJJ, teve seu início no Jiu-Jitsu(Foto: Divulgação)
Publicado 19/06/2026 10:00 | Atualizado 19/06/2026 12:22
Atual campeã peso-galo do UFC BJJ, Cássia Moura tem apenas 20 anos, mas apesar da pouca idade, já possui uma trajetória muito vitoriosa no Jiu-Jitsu. Toda caminhada, no entanto, é feita de desafios, abdicações e conta com pessoas que são fundamentais para chegar ao topo. A faixa-preta, atualmente, conta com o auxílio diário de Bruno Bastos, um dos principais treinadores de Jiu-Jitsu do mundo, mas o início de sua carreira contou também com outras peças importantes para chegar ao estágio atual.

Recentemente, Bruno Bastos fez questão de visitar o Ypê, academia e projeto social localizada em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro e onde Cássia Moura deu seus primeiros passos na arte suave. Com o cinturão do UFC BJJ em mãos, o professor fez um bonito discurso às crianças e jovens que atualmente fazem parte do Projeto Ypê, onde exaltou a trajetória que sua atleta vem trilhando no esporte, sem esquecer onde tudo começou.

"Esse cinturão, que foi o que ela ganhou quando defendeu o título dela, significa muito para mim. Primeiro mostrar que vocês podem buscar qualquer coisa que almejarem, porque a Cássia saiu exatamente do mesmo lugar que vocês. Vocês tem que saber em tudo que ela está pagando o preço, porque muitas pessoas falam que querem conquistar, mas pagar o preço não é todo mundo que paga. Não acreditem em tudo que vocês veem no Instagram. Tem muitas pessoas que postam no Instagram que elas querem tudo, mas não querem tudo de verdade", disse Bruno Bastos, que seguiu:

"A Cássia treina de 5h30 e vai até 21h30 da noite, treinando Jiu-Jitsu com e sem quimono, Judô, Luta Olímpica, Yoga, preparação física, fisioterapia e aula particular comigo. Essa é a rotina dela. O Claudinho (Cláudio Nascimento) foi quem falou comigo sobre a Cássia, quando ela ainda era faixa-amarela. O Kikito (Christian Souza) e o Mikael (Reis) fizeram muita coisa pela Cássia, então esse cinturão também é para eles lembrarem do que eles podem fazer transformando a vida de jovens como vocês. Esse cinturão significa que a Cássia, de verdade, é a melhor do mundo. Ela teve uma conversa comigo quando era faixa-azul ainda. Eu perguntei: 'qual o seu sonho?', e ela respondeu: 'ser a melhor do mundo.' E eu disse: 'cuidado', e ela perguntou o motivo. Eu falei: 'Porque ser a melhor do mundo e ser campeã mundial não são a mesma coisa'. Nesse Mundial que passou agora, ela não lutou. A menina que ela finalizou (na defesa de cinturão do UFC BJJ) foi campeã mundial. Quem é a melhor do mundo?".

Fazendo parte do dia a dia de Cássia Moura e grande responsável pelo sucesso e evolução da atleta, Bruno Bastos fez questão de exaltar quem esteve com a campeã do UFC BJJ desde o início: "Mikael Reis foi o principal instrutor da Cássia até o Juvenil, e o Cláudio Nascimento foi meu primeiro faixa-preta e professor do Mikael. Acredito que ninguém na Zona Oeste do Rio tenha ajudado mais jovens do que o Claudinho, em relação a cunho social. Foi ele quem me falou da Cássia e o pedido era de cunho social, não sabíamos que ela se tornaria quem está se tornando. O Mikael também é muito bom formador de talentos".

"O Christian (Kikito) também foi um dos instrutores da Cássia e é outro faixa-preta do Claudinho. Era ele quem segurava as pontas com inscrições de campeonatos e quimonos antes de eu começar a ajudar. É outro que fez muito pela Cássia", exaltou Bruno Bastos.
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Responsáveis por acompanhar Cássia Moura desde o início, Cláudio Nascimento, Mikael Reis e Christian "Kikito" Souza não esconderam a emoção e a felicidade com o momento que a faixa-preta atravessa no esporte. Os três exaltaram a trajetória da campeã peso-galo do UFC BJJ e como a atleta se tornou espelho para os jovens do Projeto Ypê.

"É a realização de um sonho. São mais de 15 anos na região, trabalhando com o projeto, o Ypê completa 14 anos este ano. Quando começamos, não tínhamos noção de que pudéssemos chegar neste nível, que a gente pudesse produzir uma atleta que chegasse nesse patamar de qualidade. Ficamos muito felizes, porque ela está lutando o maior evento de visibilidade no grappling, é algo sensacional. Para as outras crianças do projeto, ela se tornou referência e também uma meta para alcançar, para viajar para fora do país, lutar lá fora e estar fazendo parte da elite. Todas as crianças falam que 'um dia vou treinar com a Cássia, um dia vou fazer igual a Cássia'. Sempre soube que a Cássia tinha um potencial enorme para ser explorado e sei que ela vai chegar ainda mais longe. Saber que ela está num excelente caminho, que o Bruno Bastos ajudou ela a traçar as metas e alcançar os objetivos, é muito satisfatório. Ela precisou abrir mão de muitas coisas, mas ela, com muita luta, está conseguindo passar pelas adversidades e conseguir os objetivos", disse Cláudio Nascimento.

"Muito prazeroso e satisfatório ver o quanto ela evoluiu, tanto no Jiu-Jitsu quanto em mentalidade esportiva, pois saindo de um projeto que muitos não davam importância, é muito bonito ver onde ela chegou e conquistou o mundo com humildade e dedicação no esporte. Orgulho me define em cada momento que vejo nossa menina de ouro conquistando cada vez mais o mundo", exaltou Christian "Kikito" Souza.

"No começo, eu jamais imaginei a dimensão do que a Cássia se tornaria. Hoje, ela não é apenas uma das melhores atletas do mundo, ela é inspiração para crianças que nunca viu e, mesmo assim, sonham em seguir os passos dela. Ver isso acontecer é algo difícil até de colocar em palavras. Ela trilhou esse caminho sem ter uma referência para mostrar que era possível. Durante muito tempo, viveu de fé, sacrifício e trabalho, sem a certeza de que tudo aquilo daria resultado. Hoje, ver crianças dizendo que querem ser como a Cássia mostra que cada treino, cada renúncia e cada momento de dedicação valeram a pena. O sentimento que fica é um orgulho imenso de fazer parte dessa história", concluiu Mikael Reis.
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