Fabrício chamou atenção para a necessidade de compreender iniciativas sociais que utilizam as artes marciais (Foto: Dai Bueno)
Publicado 19/08/2026 07:00 | Atualizado 19/08/2026 09:21
O papel das artes marciais como instrumento de transformação social esteve no centro do primeiro encontro do Ciclo do Conhecimento, realizado no último dia 11 de agosto, na Universidade Estácio, no Maracanã (RJ). Com o tema “Lutas e Projetos Sociais”, a abertura reuniu atletas, educadores, gestores e profissionais ligados às artes marciais para compartilhar experiências e discutir como o esporte pode contribuir para a formação, inclusão e construção de novas perspectivas para crianças e jovens.

Entre os participantes esteve Fabrício Xavier, presidente do Sindilutas e profissional com mais de duas décadas de experiência e atuação em projetos sociais. Durante o painel, Fabrício chamou atenção para a necessidade de compreender que iniciativas sociais que utilizam as artes marciais não devem ter como foco principal apenas o ensino esportivo. Para ele, o trabalho desenvolvido nesses espaços envolve, sobretudo, relações humanas e a responsabilidade de contribuir diretamente para a vida dos participantes.

"O projeto social não é sobre artes marciais, é sobre vidas. E se a gente não tiver isso muito claro na nossa cabeça, vamos errar o tempo inteiro, porque muitos pensam que é apenas sobre esporte. Temos que ficar com uma coisa na cabeça: toda relação é uma relação de compra e venda. Toda relação é uma relação de convivência. Toda relação é assim", afirmou.
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A declaração de Fabrício Xavier dialoga com a proposta central do primeiro encontro do Ciclo do Conhecimento, que buscou apresentar diferentes experiências sobre a utilização das lutas como ferramentas de transformação social. Ao longo do painel, os participantes ressaltaram que projetos dessa natureza podem ultrapassar o ensino técnico e contribuir para a construção de valores, disciplina, convivência, pertencimento e perspectivas de futuro, principalmente entre crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

A discussão também contou com a participação de Rogério Minotouro, ex-lutador de MMA com passagens por UFC e PRIDE, e atuação como cofundador do Instituto Irmãos Nogueira. Minotouro destacou a importância do acompanhamento individual dos alunos e da construção de vínculos entre professores, praticantes e familiares. Pedro Bombom, lutador profissional de Jiu-Jitsu, também ressaltou a responsabilidade dos professores como referências para a próxima geração, reforçando a dimensão humana do trabalho realizado nas academias e projetos sociais.

O Ciclo do Conhecimento é uma iniciativa idealizada e submetida por Felipe Guimarães Teixeira, contemplada com fomento da FAPERJ. O projeto tem a Universidade Estácio de Sá como instituição representante e vinculada à sua execução, contando ainda com o apoio do Instituto Comunidade Saudável. Integrado à programação de extensão do Global Sports Conference 2026, o projeto busca promover debates e conexões entre esporte, educação, saúde, inclusão e cidadania, utilizando as artes marciais como ferramenta de transformação social.

Próximos encontros

Após a abertura com o tema “Lutas e Projetos Sociais”, o Ciclo do Conhecimento terá seu segundo encontro na próxima quinta-feira (20), na Estácio Copacabana, com o painel “Luta e Resiliência: Mulheres no combate ao assédio e à conquista de espaço”. A programação reunirá Carla Ferreira, Lu Neder, Mel Lissey e Tatiana Cordeiro para discutir desafios, enfrentamento ao assédio, resiliência e a conquista de espaço das mulheres no universo das lutas.

A programação do Ciclo do Conhecimento antecede o Global Sports Conference 2026, que será realizado nos dias 19 e 20 de setembro, no Rio de Janeiro. Primeiro congresso brasileiro dedicado à integração entre ciência, saúde, inovação, educação e impacto social a partir das artes marciais, o evento terá como pilares Ciência, Performance, Inovação e Transformação Social.
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