AlunoReprodução
Publicado 09/07/2025 17:11
Iguaba Grande - Um episódio envolvendo um monitor escolar e uma criança autista em uma escola da rede municipal de Iguaba Grande está ganhando repercussão. O caso, compartilhado nas redes sociais nesta terça-feira (8), aconteceu no último dia 30, quando Marcia Portela, mãe de um aluno de 6 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2 de suporte, notou quatro marcas roxas no braço esquerdo do filho, compatíveis com a pressão de dedos humanos.
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Segundo a denúncia, a Marcia procurou imediatamente a direção da unidade escolar, que fotografou as marcas e se comprometeu a assistir às imagens das câmeras de segurança. Ela conta que, no dia seguinte, a equipe pedagógica se reuniu com a responsável e confirmou que o monitor teria segurado o braço da criança com força desnecessária.
Ainda conforme o relato, o aluno não estaria em crise e nem apresentava comportamento agitado no momento, o que, na avaliação da equipe, exclui a necessidade de qualquer contenção.
Marcia conta também que, ainda no mesmo dia do ocorrido, o funcionário foi devolvido à Secretaria Municipal de Educação e exonerado do cargo. A secretária de Educação também assistiu às imagens e, conforme relato da mãe, confirmou a conduta inadequada do profissional.
A família registrou boletim de ocorrência na 129ª Delegacia de Polícia (129ª DP) de Iguaba Grande e levou a criança para exame de corpo de delito, que atestou o aperto intencional como responsável pelas marcas no braço. Nos dias seguintes, o menino apresentou alterações de comportamento, como dificuldades para dormir, permanecendo a semana inteira sem frequentar a escola.
Além do episódio, a mãe relatou que o funcionário deixava de preencher corretamente o diário de bordo obrigatório, apresentando registros rasurados e desorganizados, e frequentemente não levava a criança até o portão na hora da saída.
Por fim, Marcia informou que já procurou os órgãos competentes e que o caso será encaminhado ao Ministério Público. Ela também fez um alerta a outros pais e responsáveis por pessoas com deficiência, destacando a importância de estarem atentos aos sinais e comportamentos das crianças, e de não hesitarem em buscar seus direitos sempre que houver qualquer situação que coloque em risco o bem-estar dos filhos.
Em nota, a Prefeitura de Iguaba Grande informou que adotou providências imediatas ao tomar conhecimento do caso. A gestão afirmou que o monitor foi afastado da função e, posteriormente, exonerado ainda no mesmo dia. Um processo administrativo foi instaurado para apurar os fatos e revisar os protocolos internos de atendimento.
A administração municipal declarou seguir as diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) e da Resolução CNE/CEB nº 4/2009, e reforçou que não compactua com qualquer forma de violência, especialmente contra crianças e pessoas com deficiência. A prefeitura informou ainda que acompanha o caso junto às autoridades e presta apoio à família da criança.
Confira a nota na íntegra:
“A Prefeitura Municipal de Iguaba Grande informa que tomou conhecimento do episódio envolvendo um monitor escolar e uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede municipal de ensino, ocorrido no dia 30 de junho de 2025.
Assim que a situação chegou ao conhecimento da gestão, todas as providências foram adotadas de forma imediata: o funcionário foi afastado da função ainda no mesmo dia e, posteriormente, exonerado. Também foi instaurado processo administrativo para apuração rigorosa dos fatos e revisão dos protocolos internos de conduta e atendimento.
Reforçamos que a política de contratação e formação de profissionais de apoio segue o que determina a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) e a Resolução CNE/CEB nº 4/2009, que estabelecem a necessidade de orientação pedagógica específicas para o atendimento educacional especializado, com foco na segurança e no respeito à dignidade da criança.
A Prefeitura de Iguaba Grande não compactua com qualquer tipo de violência, especialmente contra crianças e pessoas com deficiência, e segue acompanhando o caso junto às autoridades competentes, prestando apoio necessário à família.
Nos solidarizamos com os responsáveis e reafirmamos nosso compromisso com uma educação inclusiva, segura e humanizada para todos os nossos alunos”.
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