Publicado 03/03/2026 10:31
O município de Itaguaí recebe, entre os dias 03 e 05 de março, a ocupação cultural “Grande Sertão: Veredas – 70 Anos de Travessia”, que celebra o legado de Guimarães Rosa com teatro gratuito, rodas de conversa e atividades formativas. A programação tem como ponto de encontro central o Centro de Memória dos Povos Originários e Tradicionais da Costa Verde, que sediará parte das apresentações e debates, tornando-se o espaço-símbolo da passagem do projeto pela cidade.
Com direção de Amir Haddad e atuação de Gilson de Barros, indicado ao Prêmio Shell, a trilogia teatral, que revisita o universo de Riobaldo, chega a Itaguaí como uma experiência imersiva que aproxima literatura, território e comunidade. Além do Centro de Memória, as atividades também acontecem em escolas da rede pública, ampliando o acesso à obra e ao pensamento rosiano.
Com direção de Amir Haddad e atuação de Gilson de Barros, indicado ao Prêmio Shell, a trilogia teatral, que revisita o universo de Riobaldo, chega a Itaguaí como uma experiência imersiva que aproxima literatura, território e comunidade. Além do Centro de Memória, as atividades também acontecem em escolas da rede pública, ampliando o acesso à obra e ao pensamento rosiano.
Romance
Em 2026, um dos maiores monumentos da Literatura mundial completa 70 anos de publicação, o romance Grande Sertão Veredas, do escritor mineiro, João Guimarães Rosa. Por conta da data a programação cultural ocupa espaço em escolas e centros culturais da cidade.
O coração da iniciativa é a trilogia teatral interpretada por Gilson de Barros, indicado ao prêmio Shell e dirigida pelo mestre Amir Haddad, que aposta na força da palavra e na interpretação narrativa para dar vida ao universo de Riobaldo. As apresentações serão em escolas públicas e centros culturais e terão apoio do Ministério da Cultura e Instituto Cultural Vale. Proporcionando a população local acesso ao teatro e debates imersivos na obra em destaque.
Dia 04/03
14h00 – Espetáculo: No Meio do Redemunho
Local: Colégio Estadual José Maria de Brito Brasil Japão
18h00 – Oficina: “Da prosa rosiana à dramaturgia”
Local: Centro de Memória dos Povos Originários e Tradicionais da Costa Verde
Dia 05/03
14h00 – Espetáculo: “O Julgamento do Zé Bebelo”
Local: CIEP Professor João Canuto
*Todas as atividades em Itaguaí serão gratuitas e abertas ao público.
14h00 – Espetáculo: No Meio do Redemunho
Local: Colégio Estadual José Maria de Brito Brasil Japão
18h00 – Oficina: “Da prosa rosiana à dramaturgia”
Local: Centro de Memória dos Povos Originários e Tradicionais da Costa Verde
Dia 05/03
14h00 – Espetáculo: “O Julgamento do Zé Bebelo”
Local: CIEP Professor João Canuto
*Todas as atividades em Itaguaí serão gratuitas e abertas ao público.
Compreendendo a trilogia: as veredas do universo de Guimarães
O projeto apresenta três recortes dramatúrgicos distintos, que podem ser vistos de forma independente ou conjunta, que exploram diferentes aspectos da obra. Sendo o primeiro, intitulado “Riobaldo”, que se concentra nos relacionamentos amorosos presentes no romance, especialmente o vínculo entre Riobaldo e Diadorim, apresentando ao público uma abordagem clássica da temática amorosa na literatura brasileira. Já o segundo espetáculo, “No Meio do Redemoinho”, instiga os espectadores na dialética entre o bem e o mal, Deus e o diabo, esse é o tema central. Acompanhando as reflexões do protagonista, Riobaldo, seus conflitos morais e psicológicos, e sobre um suposto pacto com o diabo, feito em sua juventude. E o “O Julgamento de Zé Bebelo”, que apresenta um panorama do sistema de jagunços, que existiu no sertão de Minas Gerais no final do século XIX e início do século XX.
“Riobaldo e Diadorim eram jagunços, e o julgamento oferece uma análise da ética nesse sistema. Esses três recortes proporcionam uma visão abrangente do universo de Grande Sertão: Veredas. Diferente de montagens anteriores, a proposta estética de Haddad elimina artifícios cênicos para focar no essencial: o ator-narrador e a oralidade roseana. O sertão é do tamanho do mundo, e Riobaldo somos todos nós, com todas essas nuances e dualidades, humanos, que acertam e erram, não necessariamente nesta ordem, mas vivemos, persistimos, resistimos”, pontua Gilson de Barros, ator solo dos três espetáculos.
Segundo Gilson de Barros, a ideia do projeto de criar um espetáculo para se aprofundar e conhecer melhor a obra de Guimarães Rosa, começou a ser concebida entre 2015 e 2016. “Na época, eu estava em processo de aposentadoria da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde exercia a função de diretor do Parque das Ruínas e atuava na área de gestão pública. Paralelamente, sempre me dediquei à atuação e almejava, após a aposentadoria, desenvolver um projeto que me permitisse viajar e expandir meus horizontes. Foi então que surgiu a ideia de adaptar a obra "Grande Sertão: Veredas", um livro que eu já conhecia e apreciava. O ator e idealizador do projeto revela ainda que o processo de dramaturgia se estendeu até 2019, quando a produção de uma primeira versão, que foi apresentada a diversos grupos de leitura e amigos, e em eventos literários, lhe impulsionou a seguir em frente com a ideia após boas críticas:
“Participei de um evento na Biblioteca Parque, e tive a oportunidade de receber críticas de dois renomados acadêmicos: Nélida Piñon e Antônio Cícero (in memoriam). As críticas foram construtivas e me impulsionaram a amadurecer a adaptação. Foi aí que apresentei o projeto ao diretor Amir Haddad, que demonstrou grande entusiasmo. A colaboração resultou na estreia da primeira peça, "Riobaldo", em 2020, intitulada "Riobaldo, Recorte dos Amores". Embora não estivesse nos meus planos iniciais, o sucesso da peça, me inspirou a ampliar a pesquisa para outros recortes. Assim, surgiu a segunda peça, "No Meio do Redemunho", estreando em 2023. Em seguida, a terceira peça, "O Julgamento de Zé Bebelo", estreou em 2024. Essa é, portanto, a cronologia da trilogia”. Diz Barros.
Trajetória de Sucesso do Projeto
Desde a concepção em 2015 e estreia em 2020, o projeto já percorreu importantes palcos brasileiros e internacionais. Vencedor do Prêmio Arcanjo de Cultura, o espetáculo reafirma a vitalidade de Guimarães Rosa, transformando a "fala do povo" em uma experiência estética que emociona tanto em grandes centros quanto em cidades do interior do Brasil. Indicado ao Prêmio Shell 2022 (Melhor Ator e Melhor Dramaturgia) por “Riobaldo”. Tendo sido reconhecida a trilogia, com “No Meio do Redemunho” e “O Julgamento de Zé Bebelo”, com o Prêmio Arcanjo Especial. No Brasil, a trilogia realizou 647 apresentações em 68 cidades, com aproximadamente 14 mil espectadores. A circulação passou por diversos estados, incluindo São Paulo (capital e interior), Minas Gerais (Belo Horizonte e várias cidades do interior), Rio de Janeiro (capital e municípios como Macaé, Campos, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu e Valença), além de Brasília, Porto Alegre e Curitiba.
Na circulação internacional, foram realizados 10 espetáculos: 6 em Portugal — sendo 5 em Lisboa e 1 no Porto, com público aproximado de 600 espectadores — e 4 na Colômbia, em Bogotá, durante a Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo), alcançando cerca de 2 mil espectadores. As apresentações consolidam o projeto como um importante vetor de difusão da literatura brasileira no exterior.
MiniBio
Amir Haddad (direção) – Renomado diretor e ator brasileiro, fundador de grupos fundamentais do teatro nacional, como ‘A Comunidade’ e ‘Tá na Rua’. Conhecido por sua contribuição à cena brasileira, mantém intensa atividade artística e pedagógica, Doutor Honoris Causa pela UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2019, referência para a classe artística, transita por todas as formas de arte contribuindo com o teatro e o audiovisual.
Gilson de Barros (ator e dramaturgo) – Formado em Artes Cênicas pela UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, soma mais de 25 espetáculos no currículo. Trabalhou com diretores como Augusto Boal, Domingos Oliveira e Amir Haddad, com quem desenvolveu a Trilogia Grande Sertão: Veredas. Premiado e indicado em importantes festivais e premiações nacionais, desenvolve trabalho de pesquisa teatral contribuindo com o conhecimento acadêmico para as artes.
Ficha Técnica
A partir do livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
Tradução, idealização e atuação: Gilson de Barros
Direção: Amir Haddad
Cenário: José Dias
Figurinos: Karlla de Luca
Iluminação: Aurélio de Simoni
Programação visual: Josué Ribeiro
Realização: Barros Produções Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal
Patrocínio: Instituto Cultural Vale, através da Lei de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet
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