Ações voltadas ao melhoramento do rebanho leiteiro visam garantir maior rentabilidade aos pequenos produtores Foto Rede/Divulgação
Publicado 25/07/2026 15:40
Itaperuna – Com 33% de participação, a bacia leiteira do Noroeste Fluminense é a que concentra o maior número de produtores do estado do Rio de Janeiro. No entanto, ela não detém o maior volume total, feito que cabe ao Sul Fluminense, com 37%. Historicamente, a região Noroeste posiciona-se na segunda colocação (com 20% de fatia do volume total), destacando Itaperuna como o polo econômico regional.
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A segunda maior cadeia de abastecimento do estado produz mais de 160 milhões de litros anualmente, com Itaperuna figurando no topo do ranking dos maiores produtores regionais, com cerca de 30 milhões de litros. O município tem demanda garantida e papel estratégico na segurança alimentar fluminense, considerando que o estado do Rio de Janeiro importa a maior parte do leite que consome.
A expectativa para a produção no município passa não apenas pela tendência de valorização no preço do litro, mas também por desafios estruturais e climáticos no campo. A longo prazo, a maior preocupação manifestada pelos produtores é climática, focada em estiagens severas e chuvas cada vez mais irregulares, o que afeta significativamente as pastagens naturais.
Em 2016, o engenheiro agrônomo Décio Zampiér, professor na Universidade Iguaçu (Unig), defendia, em um documento de seis páginas, a ampliação da produtividade com manejo do rebanho, melhoramento genético, de alimentos e sanitário, dentro de uma gestão da propriedade rural, visando aumentar a produção de leite em Itaperuna.
REFLEXO AMPLO - Ainda que as adversidades sejam obstáculos preocupantes, o setor
movimenta indústrias de laticínios de grande porte e diversas queijarias artesanais e de médio porte instaladas no município. Isso significa que a cadeia do leite aquece fortemente a economia local, refletindo diretamente no comércio da cidade por meio da compra de insumos, ração animal, medicamentos veterinários e maquinários.
O Noroeste opera com rebanhos de pequeno e médio portes, envolvendo cerca de 800 produtores rurais, a maior parte em Itaperuna. Na cidade, o governo municipal oferece incentivos por meio de concursos leiteiros tradicionais, melhorias em estradas rurais e programas de apoio técnico e genético, em parceria com o estado.
No caso do Concurso Leiteiro de Curral, o evento é realizado anualmente pela Secretaria Municipal de Agricultura, com ordenhas acompanhadas diretamente nos sítios para estimular a produtividade. Também são promovidas competições com premiações em dinheiro para destacar a genética e a capacidade dos animais da pecuária leiteira local.
AÇÕES DE APOIO - Investimentos em manutenção e reparo de estradas na zona rural - para facilitar o escoamento rápido da produção - e a disponibilidade de serviços de trator e apoio mecânico para o cultivo de forrageiras que alimentam o rebanho também são garantidos. Os pecuaristas recebem, ainda, orientação técnica contínua da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Rio) para a elevação dos padrões de qualidade.
Ações voltadas ao melhoramento do rebanho leiteiro para garantir maior rentabilidade aos
pequenos produtores estão previstas para os setores de Itaperuna e do Noroeste Fluminense. O foco está na modernização tecnológica, na melhoria da eficiência por animal e no fortalecimento da agricultura familiar, buscando reverter as pressões de mercado e os custos elevados que afetam os produtores.
As possibilidades para melhorar a eficiência logística e a produtividade avançaram substancialmente por meio do Edital Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) Nº 07/2026, através do Programa Agro do Futuro, que destinou R$ 25 milhões para o financiamento de FoodTechs e AgriTechs no estado fluminense.
Com resultados divulgados em meados de 2026, a iniciativa impulsiona a pecuária leiteira no Noroeste Fluminense através de frentes como o Partec Agro, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), selecionado na categoria Líder de Inovação. Essa articulação torna o setor mais competitivo, sustentável e intensivo em conhecimento frente às pressões climáticas e de mercado.
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