Vereadores de Macaé defendem novas capacitações para garantir que moradores assumam vagas abertas no municípioFoto: Ilustração
Publicado 03/09/2025 14:23 | Atualizado 03/09/2025 14:24
Macaé - A qualificação profissional voltou ao centro do debate em Macaé, município considerado a capital nacional do petróleo. Durante a sessão da Câmara Municipal realizada na última terça-feira (2), vereadores destacaram a necessidade urgente de ampliar a oferta de cursos de capacitação para atender tanto à cadeia do óleo e gás quanto ao setor de comércio e serviços, que também vem registrando crescimento.
Publicidade
O vereador Denis Madureira (Republicanos) foi o responsável por apresentar o requerimento 289/2025, que solicita ao poder público a abertura de cursos específicos voltados para o mercado offshore. Ele ressaltou que a demanda por trabalhadores qualificados em plataformas e embarcações ainda é grande, principalmente após novas exigências da Petrobras. Entre os cursos citados estão Primeiros Socorros Offshore (CPSO), Manobra e Combate de Incêndio de Aviação (MCIA), Bombeiro de Aviação (Bombav), Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC 100) e o treinamento para transporte aéreo de produtos perigosos (RABC 175).
Denis lembrou que até funções tradicionais como taifeiro, responsável pela manutenção da cozinha, e paioleiro, encarregado de depósitos e provisões, têm enfrentado dificuldades de contratação, mesmo quando os profissionais possuem qualificações básicas como CBSP e T-HUET. “O custo desses cursos é elevado, e muitos desempregados não conseguem pagar. Se forem oferecidos pela cidade, os moradores terão condições de disputar as vagas em igualdade com candidatos de fora”, afirmou.
A preocupação não se restringe ao setor de petróleo. A vereadora Leandra Lopes (PT) reforçou que Macaé precisa mapear todas as áreas que mais necessitam de mão de obra. “Não podemos esquecer dos profissionais do comércio, da hotelaria e dos serviços em geral. Existe procura constante por garçons, atendentes de farmácia e recepcionistas. É fundamental preparar também esses trabalhadores”, destacou.
O vereador Edson Chiquini (Cidadania) trouxe números para o debate. De acordo com ele, a Secretaria de Trabalho e Renda do município possui atualmente cerca de 800 vagas de emprego abertas, sem candidatos qualificados para preenchê-las. “Faltam atendentes, açougueiros, padeiros e profissionais de diversas funções. Isso mostra que precisamos olhar além do offshore e investir no mercado onshore”, disse.
Luciano Diniz (Cidadania) também defendeu a ampliação da capacitação e citou a carência de confeiteiros e padeiros como exemplo da necessidade de atender ao comércio local. Para ele, com o aquecimento da economia e a perspectiva de crescimento nos próximos anos, a qualificação se torna um investimento estratégico. “É uma oportunidade de preparar nossa população e gerar empregos de forma ampla”, afirmou.
Macaé, que concentra as maiores operações da Petrobras no país, já passou por ciclos de expansão econômica nos últimos anos. Porém, a falta de trabalhadores qualificados sempre foi apontada como um gargalo para aproveitar todo o potencial de geração de emprego e renda. A expectativa dos parlamentares é de que, com a criação de novos cursos gratuitos ou de baixo custo, os moradores locais possam assumir as vagas abertas e reduzir a dependência de profissionais de outras cidades.
Leia mais