Fiéis participaram do cortejo em homenagem a Iemanjá no Mercado de Peixes, em MacaéFoto: Moisés Bruno H. Santos
Publicado 02/02/2026 11:55 | Atualizado 02/02/2026 11:56
Macaé - A fé tomou conta do Mercado Municipal de Peixes e das ruas do entorno na manhã de domingo, 1º de fevereiro, quando fiéis e representantes de terreiros se reuniram para a celebração do tradicional Presente de Iemanjá, uma das manifestações religiosas mais simbólicas de Macaé. O encontro transformou o espaço em ponto de devoção, respeito e conexão com a cultura de matriz africana.

A homenagem foi marcada por um cortejo que percorreu a Rodovia Amaral Peixoto, contornou a Praça Veríssimo de Melo e retornou ao Mercado de Peixes, local escolhido por sua ligação histórica com o mar e a pesca. O Dia Municipal de Iemanjá é reconhecido por lei desde 2023, fortalecendo oficialmente a tradição no calendário cultural da cidade.

Mais do que um ato religioso, a celebração também representou um gesto de resistência e afirmação da liberdade de crença. A data dialoga com o Estatuto da Igualdade Racial, legislação nacional que protege manifestações culturais afro-brasileiras e combate o racismo religioso, garantindo o direito à livre expressão da fé.
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Fiéis participaram do cortejo em homenagem a Iemanjá no Mercado de Peixes, em Macaé - Foto: Moisés Bruno H. Santos
Fiéis participaram do cortejo em homenagem a Iemanjá no Mercado de Peixes, em MacaéFoto: Moisés Bruno H. Santos


A organização do evento contou com forte participação dos terreiros do município, o que deu ainda mais sentido coletivo à celebração. Para a secretária municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Ingrid Pereira da Silva Aprígio Fernandes, o encontro reforça o papel de Macaé como uma cidade plural e democrática. Segundo ela, apoiar manifestações como essa é assegurar que cada cidadão tenha sua religiosidade respeitada, sem intolerância ou discriminação.

A presidente do Conselho Municipal de Promoção das Políticas de Igualdade Racial, Francisca Fernanda Machado de Souza, destacou o caráter coletivo da celebração. Ela ressaltou a importância da união entre comunidades, lideranças e fiéis na construção do evento, lembrando que a história e a resistência dos povos de matriz africana fazem parte da identidade local.

Para a representante da União dos Terreiros e Casas de Cultos Afro-brasileiros de Macaé, Kátia Magalhães, a homenagem vai além da espiritualidade. Segundo ela, Macaé tem uma relação profunda com a água, com o mar e com a pesca, o que torna o culto a Iemanjá um momento de agradecimento pelas riquezas vindas das águas e de reconhecimento da ancestralidade. A celebração, segundo Kátia, ganhou ainda mais força e legitimidade com o reconhecimento legal da data.

O evento também contou com a presença da secretária municipal de Cultura, Waleska Freire, reforçando o diálogo entre fé, cultura e identidade.


Fiéis participaram do cortejo em homenagem a Iemanjá no Mercado de Peixes, em MacaéFoto: Moisés Bruno H. Santos

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