Publicado 14/05/2026 13:44
Macaé - Cores chamativas, sabores adocicados, cheiro artificialmente agradável e forte presença nas redes sociais. A nova geração de produtos derivados do tabaco tem chegado cada vez mais perto dos adolescentes, despertando preocupação entre especialistas em saúde pública. Em Macaé, o Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, reforça o debate sobre os impactos da nicotina e os riscos do crescimento do consumo entre jovens.
PublicidadeCriada pela Organização Mundial da Saúde em 1987, a campanha deste ano traz como tema “Desmascarando o Apelo – Combatendo a Dependência de Nicotina e Tabaco”, destacando estratégias utilizadas pela indústria para tornar cigarros convencionais, cigarros eletrônicos e narguilés mais atrativos ao público jovem.
O alerta ganha ainda mais força diante do aumento do uso de dispositivos eletrônicos para fumar entre adolescentes. Dados apresentados pela Organização Mundial da Saúde apontam que mais de 15 milhões de jovens entre 13 e 15 anos utilizam cigarros eletrônicos em diferentes países. Em algumas regiões, crianças e adolescentes chegam a ter até nove vezes mais chances de consumir esses dispositivos do que adultos.
Segundo nota técnica do Ministério da Saúde, a indústria do tabaco vem adaptando a linguagem visual e comercial dos produtos para alcançar novos consumidores. Embalagens modernas, aromas doces, sabores variados e ações indiretas em plataformas digitais ajudam a suavizar a percepção dos riscos ligados à nicotina.
Especialistas destacam que o perigo vai além da dependência química. Como o cérebro ainda está em fase de desenvolvimento durante a adolescência, a exposição precoce à nicotina pode aumentar a vulnerabilidade a transtornos emocionais, dificuldades de concentração, problemas respiratórios e doenças cardiovasculares.
Outro ponto de preocupação é a forma como o consumo vem sendo naturalizado no cotidiano. Mesmo com restrições à propaganda de cigarros no Brasil, conteúdos em filmes, séries, videoclipes e redes sociais seguem expondo o hábito de fumar como algo comum, principalmente para o público mais jovem.
No país, a fabricação, comercialização, propaganda e distribuição de cigarros eletrônicos continuam proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, conforme determina a RDC nº 855/2024.
Em Macaé, ações de enfrentamento ao tabagismo seguem disponíveis gratuitamente para a população. O Programa de Prevenção e Controle do Tabagismo oferece acompanhamento especializado para pessoas que desejam parar de fumar ou precisam de apoio para manter o tratamento contra a dependência da nicotina.
O atendimento acontece na Casa da Convivência, localizada na Rua Visconde de Quissamã, no Centro, além de unidades básicas de saúde do município. O programa conta com equipe multidisciplinar, grupos de apoio, acompanhamento individual e práticas integrativas voltadas ao cuidado físico e emocional dos pacientes.
Como parte da programação do Dia Mundial sem Tabaco, Macaé também promoverá, no próximo dia 27 de maio, uma ação de conscientização voltada aos impactos da nicotina na saúde pública e aos desafios enfrentados no combate ao tabagismo entre adolescentes e jovens.
A discussão ganha relevância em um momento em que especialistas reforçam a importância da informação, do diálogo e da prevenção para evitar que novos hábitos de consumo coloquem em risco a saúde de uma geração inteira.
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