Lorena Souza celebra a conclusão de uma das provas de montanha mais exigentes do Brasil e leva o nome de Macaé ao pódio da resistênciaFoto: Reprodução
Publicado 02/07/2026 11:19
Macaé - A força, a estratégia e a determinação de uma atleta de Macaé voltaram a ganhar destaque no cenário esportivo nacional. Lorena Souza escreveu mais um capítulo marcante de sua trajetória ao concluir a desafiadora prova "Maldição do Corpo Seco", uma ultramaratona de montanha considerada uma das mais difíceis do Brasil. O desempenho garantiu medalha e colocou a esportista entre um grupo restrito de competidoras capazes de completar o percurso dentro do tempo regulamentar.
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Disputada entre a noite de 20 e a manhã de 21 de junho, a competição desafia os participantes durante 12 horas ininterruptas em trilhas técnicas da Serra da Mantiqueira. Para serem considerados concluintes, as mulheres precisam completar, no mínimo, dez voltas no circuito, enquanto os homens devem percorrer doze. O trajeto soma aproximadamente 44,8 quilômetros, com cerca de 5.400 metros de desnível acumulado, exigindo preparo físico, resistência mental e domínio técnico.
Segundo o treinador Rodrigo Silva, concluir essa prova já representa uma conquista extraordinária, já que grande parte dos competidores abandona o desafio antes do tempo limite.
"É uma prova extremamente seletiva. O percurso é muito pesado e acontece durante toda a madrugada. Muitas atletas não conseguem finalizar dentro das 12 horas. A Lorena conseguiu superar esse desafio e alcançou um resultado histórico", destacou.
A preparação começou meses antes da largada. Os treinamentos foram realizados em locais conhecidos pelo relevo acidentado, como Sana, Pico do Frade e Paiol, todos em Macaé, além de diversas atividades noturnas para simular as condições encontradas durante a competição.
O treinador explica que os treinos durante a noite foram fundamentais para adaptar a atleta às dificuldades de orientação, ao uso de lanternas e ao desgaste provocado pela baixa visibilidade.
"Treinamos exatamente o cenário da prova. Foram muitos quilômetros durante a madrugada, enfrentando frio, cansaço e terreno técnico. Esse resultado é fruto de muito trabalho e também leva o nome de Macaé para competições nacionais", afirmou Rodrigo.
Além do desafio esportivo, a competição chama atenção pela temática inspirada no folclore brasileiro. O nome "Maldição do Corpo Seco" faz referência à lenda de um homem que, por sua maldade em vida, teria sido rejeitado tanto pelo céu quanto pelo inferno após a morte. Condenado a vagar eternamente pelas trilhas da Serra da Mantiqueira, ele sobreviveria sugando as forças daqueles que cruzassem seu caminho.
Toda a identidade da prova foi construída a partir dessa narrativa. Durante as voltas pelas montanhas, os atletas enfrentam o desgaste físico como se estivessem resistindo à lenda do Corpo Seco, tornando a experiência ainda mais simbólica para quem consegue cruzar a linha de chegada.
Com a conquista, Lorena Souza reforça a presença de Macaé entre os grandes nomes das corridas de montanha e demonstra que disciplina, preparo e perseverança são capazes de transformar desafios extremos em histórias de superação.
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