Publicado 29/08/2026 15:03
Macaé - A força do mar voltou a colocar em evidência um problema que há anos preocupa moradores da Fronteira, em Macaé. A ressaca registrada nesta semana avançou sobre a faixa costeira e atingiu alguns imóveis do bairro, a maioria já interditada por causa do risco. Diante do cenário, moradores e representantes do município se reuniram para discutir a situação das famílias, as medidas de segurança e os caminhos possíveis para a região.
PublicidadeO episódio mais recente reforçou a preocupação com a erosão costeira, que alterou a configuração da área ao longo dos últimos anos. Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a pedido do município, em 2024, apontou um recuo de aproximadamente 30 metros da faixa costeira e indicou a retirada das moradias localizadas em área de risco como medida necessária para preservar vidas.
A realização de um novo estudo está em avaliação pelo município. A proposta é obter informações atualizadas sobre as condições da área e analisar alternativas para as próximas etapas, diante das mudanças provocadas pela erosão e pelo avanço do mar.
Enquanto a situação permanece sob acompanhamento, a Defesa Civil mantém o trabalho de monitoramento e atua na retirada de pessoas de locais considerados inseguros. O órgão também acompanha imóveis interditados e participa das demolições quando há necessidade de eliminar estruturas que oferecem risco.
“É fundamental que essa área esteja desocupada para que possamos avançar para as próximas etapas. A Defesa Civil atua com a prerrogativa de salvar vidas, de tirar as pessoas de áreas de risco, tanto antes de acontecer um fenômeno de ressaca quanto durante”, explicou o secretário de Defesa Civil, Joseferson Florêncio.
O impacto da erosão não se limita à perda ou interdição de imóveis. Para as famílias que vivem na região, deixar a própria casa significa romper uma rotina construída ao longo de anos e enfrentar a necessidade de encontrar outro lugar para morar. Por isso, além das medidas de segurança, o município mantém mecanismos de assistência habitacional para quem precisa deixar áreas consideradas de risco.
Atualmente, 270 famílias recebem Aluguel Emergencial e outras cerca de 30 são atendidas pelo Auxílio Emergencial por meio da Secretaria Executiva de Habitação. Os benefícios buscam garantir uma alternativa de moradia enquanto as famílias passam pelo processo de atendimento do poder público.
“Estamos aqui para assegurar que nosso objetivo é zelar pela segurança das famílias e garantir que elas possam estar em um local habitável e seguro”, afirmou a secretária de Habitação, Ana Lúcia Ribeiro da Conceição.
Outra alternativa disponível é o Programa de Compra Assistida, criado para permitir a realocação definitiva de famílias que vivem em áreas de risco. O processo envolve também a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, responsável pelo acompanhamento das famílias em situação de vulnerabilidade.
A discussão sobre o futuro da Fronteira, no entanto, depende de diferentes fatores. A erosão continua alterando a faixa costeira, os episódios de ressaca podem voltar a atingir o bairro e qualquer intervenção precisa considerar aspectos técnicos, ambientais e sociais.
Por isso, o diálogo com os moradores também passou a fazer parte das discussões. Lideranças comunitárias defendem que as decisões sejam construídas com participação de quem vive na região e conhece, no dia a dia, os efeitos das mudanças provocadas pelo avanço do mar.
“Nós, liderança do bairro, Prefeitura e moradores, temos que andar juntos. Se não chegarmos a um consenso, o trabalho não vai avançar. Precisamos construir um entendimento entre todas as partes”, afirmou José Rodrigo Vicente Paes, vice-presidente da Associação de Moradores da Fronteira.
A reunião contou com a participação dos secretários Joseferson de Jesus Florêncio, da Defesa Civil; Santiago Borges de Almeida Gomes, de Infraestrutura; Ana Lúcia Ribeiro da Conceição, de Habitação; Nayara Ribas de Oliveira, de Assistência Social; e Rodrigo da Silva, secretário executivo de Serviços Públicos. Também participaram o vereador Rond Macaé e representantes da associação de moradores.
O cenário na Fronteira permanece como um desafio que exige decisões cuidadosas. De um lado, está a necessidade imediata de proteger moradores diante do avanço do mar. Do outro, estão famílias que construíram suas vidas no bairro e precisam de alternativas seguras para seguir adiante. Entre esses dois pontos, o município avalia os próximos passos enquanto mantém o monitoramento da área e o atendimento às famílias afetadas.
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