Publicado 05/09/2026 16:54
Macaé - Antes que a chuva forte chegue, o calor aperte ou uma mudança no clima coloque serviços essenciais sob pressão, Macaé quer ter um plano pronto. A cidade começa a estruturar um Comitê de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, proposta que pretende reunir diferentes áreas do poder público para identificar riscos, organizar protocolos e antecipar medidas de proteção à população.
PublicidadeA discussão ocorreu na sexta-feira (4), no gabinete do prefeito Welberth Rezende, com a participação de representantes de setores como Saúde, Comunicação, Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Acessibilidade, Economia Solidária, Agroeconomia, Administração, Ambiente, Sustentabilidade e Clima, além da Agência Reguladora de Saneamento Básico do Município de Macaé e da Secretaria de Serviços Públicos.
A proposta apresentada pela Defesa Civil é criar uma estrutura de caráter consultivo, preventivo, estratégico e intersetorial. A ideia é fazer com que cada área do município saiba, com antecedência, quais medidas poderá adotar diante de diferentes cenários climáticos e quais serviços precisam de atenção prioritária.
O secretário Executivo de Defesa Civil, Joseferson de Jesus Florêncio, apresentou as primeiras diretrizes para a elaboração do Plano de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño. O documento deverá considerar possíveis alterações no regime de chuvas, períodos de calor extremo, impactos sobre os recursos hídricos, abastecimento de água, saúde pública, infraestrutura e atividades agropecuárias.
A preparação também deverá levar em conta quem mais pode sofrer diante de situações climáticas adversas. Crianças, idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e moradores que dependem de serviços públicos essenciais estão entre os grupos que exigem atenção especial em eventuais períodos de calor intenso ou outros eventos extremos.
A estratégia pretende transformar informação meteorológica em ação prática. O monitoramento das condições do tempo já faz parte da rotina da Defesa Civil por meio da Central de Monitoramento. A nova proposta busca ampliar esse trabalho ao integrar os dados e alertas às decisões de outras secretarias.
Para o prefeito Welberth Rezende, a prevenção precisa ocupar espaço central na preparação do município para os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
“A prevenção é uma das ferramentas mais importantes que temos para proteger a população. Quando diferentes secretarias trabalham juntas, conseguimos antecipar cenários, estabelecer protocolos e agir com mais rapidez e eficiência. O El Niño e as mudanças climáticas exigem planejamento permanente, e Macaé está se preparando para enfrentar esses desafios com responsabilidade e foco na segurança da população”, afirmou.
O secretário Joseferson de Jesus Florêncio explica que a Defesa Civil não deve ser acionada apenas quando o problema já aconteceu. Segundo ele, antecipar riscos permite reduzir possíveis danos e organizar a resposta dos serviços públicos.
“A Defesa Civil não atua somente na resposta às ocorrências. A prevenção e a preparação são fundamentais para reduzir riscos e proteger a população. A proposta é integrar as secretarias, definir responsabilidades e estabelecer protocolos antes que uma situação de emergência aconteça”, destacou.
Entre as medidas que deverão entrar no plano estão a definição de pontos de acolhimento, hidratação e resfriamento, além de estratégias para manter o funcionamento de unidades de saúde e escolas em períodos de condições climáticas adversas.
O planejamento também deverá abordar a segurança alimentar, o abastecimento e as necessidades específicas do setor agropecuário, áreas que podem sofrer impactos diante de alterações nas condições de chuva e temperatura.
O próximo passo será a elaboração de planos de ação pelas secretarias envolvidas. A previsão apresentada durante a reunião é que uma nova proposta seja discutida dentro de 30 a 45 dias. O documento deverá reunir objetivos, protocolos e responsabilidades para orientar a atuação integrada do município.
A formalização do comitê ainda dependerá da publicação de um ato administrativo, que poderá ocorrer por meio de portaria ou decreto.
Além da estrutura entre os órgãos públicos, a Defesa Civil também pretende ampliar a participação da comunidade. O município mantém ações de capacitação de voluntários para formar multiplicadores de informações sobre prevenção e preparação para situações de emergência.
“A Defesa Civil é uma construção coletiva. Quanto mais preparada estiver a população, maiores são as possibilidades de reduzir danos e preservar vidas. Por isso, além do monitoramento e do planejamento integrado, também investimos na capacitação de voluntários”, afirmou Joseferson.
A iniciativa segue princípios da Política Nacional sobre Mudança do Clima e da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, que estabelecem prevenção, redução de riscos, preparação e resposta como elementos da gestão pública diante de eventos adversos.
Em Macaé, a proposta agora entra na fase de planejamento. Mais do que reagir quando o clima muda, o município busca antecipar cenários e definir como cada setor deverá agir. A intenção é transformar prevenção em rotina e fazer com que a informação chegue antes do risco.
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