Pescadores limpam áreas asfixiadas pelo lixo nas baías de Guanabara e SepetibaRodrigo Campanário/Divulgação
Publicado 22/07/2025 21:46
Magé - Os manguezais são berçários da vida marinha, escudos contra a erosão, filtros naturais da poluição e aliados no combate às mudanças climáticas. No entanto, esse ecossistema essencial vem sendo invadido pelo lixo urbano: só nas baías de Guanabara e Sepetiba, mais de 46 toneladas de resíduos foram retiradas por pescadores e catadores de caranguejo, por meio da Operação LimpaOca — iniciativa da ONG Guardiões do Mar, em convênio com a Transpetro. Em pouco mais de um ano, a força-tarefa resgatou mais de 1 milhão de itens descartados. O volume recolhido equivale à quantidade de lixo produzida por uma pequena cidade de 46 mil habitantes em apenas um único dia.
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Na Baía de Guanabara, a operação ocorre na ‘Ilha de Lixo’ — onde plásticos, pneus, sofás e outros dejetos formam a ‘ilha’, localizada a aproximadamente 20 quilômetros dos manguezais da APA de Guapimirim. De lá, foram retirados 42.886 kg de resíduos, em 13 meses. A ação já contou, até agora, com a participação de 84 pescadores e catadores, de três comunidades do entorno (Saracuruna/Caxias, Suruí e Guia de Pacobaíba/Magé).
Já na Baía de Sepetiba, a mobilização é realizada na Ilha da Madeira, já tendo coletado 3.177 kg de resíduos, em três meses, envolvendo 21 caiçaras.
A ação também garante renda extra aos pescadores e catadores durante o período de defeso do caranguejo-uçá, de outubro a dezembro, quando é proibida a captura do crustáceo, uma das principais fontes de renda para muitas comunidades tradicionais pesqueiras. Eles recebem uma bolsa-auxílio para realizar a coleta durante duas manhãs semanais, por aproximadamente uma hora por dia.
Nessas operações, o período de coleta foi além do defeso, devido à extensão das áreas a serem limpas. Até agora, foram trabalhados 13 hectares: quatro na Baía de Guanabara e nove em Sepetiba.
“Com a retirada desse lixo dos manguezais, estamos contribuindo para que o ambiente realize os seus serviços ecossistêmicos de forma mais eficiente, fomentando a sociobiodiversidade. E, utilizando a mão de obra dos pescadores e catadores de caranguejo, também contribuímos com a socioeconomia”, destaca Rodrigo Gaião.
De acordo com dados da pesquisa Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2023, produzido pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), a estimativa é que cada brasileiro produza, em média, 1 kg de resíduos sólidos urbanos por dia. E, infelizmente, muitos desses materiais vão parar nos manguezais, como demonstra a Operação LimpaOca.
O plástico, a exemplo de edições anteriores da Operação, é o tipo de material mais encontrado, representando 98,48% do total de resíduos em unidades e 83,28% do total em peso, retirados das duas baías.
A Operação LimpaOca se estenderá até setembro deste ano, com mais uma turma de profissionais na Baía de Guanabara e duas na Baía de Sepetiba.
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