Fórum Climático de Magé consolida propostas de soberania alimentarCaroline Santos e Juliana Portella/Divulgação
Publicado 24/03/2026 20:17
Magé - O 2º Fórum Climático de Magé reuniu cerca de 362 pessoas para debater estratégias de sobrevivência e segurança alimentar na Baixada Fluminense. Sob o tema "Territórios e Maretórios por Soberania Alimentar", o evento, realizado pelo Instituto Mirindiba, consolidou a premissa de que a estabilidade nutricional da região metropolitana depende diretamente da preservação dos territórios produtivos locais. O encontro marcou o lançamento de um guia inédito e contou com a participação de lideranças comunitárias, pesquisadores e representantes de mandatos parlamentares.

Lançamento do Guia Popular: Dados contra a Fome
O ponto alto do evento foi o lançamento do Guia Popular de Soberania Alimentar e Combate à Fome em Magé (RJ). O material, fruto de uma pesquisa rigorosa liderada pelo Instituto Mirindiba, funciona como um diagnóstico territorial e um manual pedagógico de incidência política.

Para a gestora ambiental e presidente do Instituto Mirindiba, Carla Lubanco, o guia é um instrumento de soberania:

"O desenvolvimento sustentável nasce da conexão entre território, cultura e engajamento coletivo. O guia representa um passo fundamental para pensarmos a garantia de direitos no contexto da crise ambiental, oferecendo base para que lideranças reivindiquem políticas públicas que protejam nosso ecossistema e as comunidades que dependem dele", destaca Carla.
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Fórum Climático de Magé consolida propostas de soberania alimentar - Caroline Santos e Juliana Portella/Divulgação
Fórum Climático de Magé consolida propostas de soberania alimentarCaroline Santos e Juliana Portella/Divulgação


Da Baixada ao centro das decisões em Brasília

O evento contou ainda com a presença do deputado federal Henrique Vieira, que reforçou a importância de levar as demandas da Baixada para o centro das decisões políticas nacionais. A participação do parlamentar e de outras organizações sociais sublinhou que a adaptação climática nas periferias urbanas é, acima de tudo, uma questão de saúde pública e justiça social.

“A soberania alimentar e o combate à fome são pautas de dignidade humana e um direito básico fundamental. Sem a garantia de uma alimentação saudável, a própria vida não é possível. Infelizmente, a fome no Brasil é fruto de um projeto econômico que coloca o lucro e o dinheiro acima da dignidade das pessoas e do bem comum", defendeu o parlamentar.

A programação, que se estendeu das 9h até às 17h no CIEP 327 – Pedro Américo, com atividades lotadas, incluindo mesas temáticas que abordaram desde o racismo ambiental no acesso aos alimentos até os desafios de pescadores artesanais e agricultores locais.

À tarde, o público participou de oficinas sobre ansiedade climática e atividades de economia social na Feira Onça, reafirmando o papel do fórum como um espaço de escuta ativa e construção de um futuro igualitário.
O Guia Popular de Soberania Alimentar e Combate à Fome em Magé (RJ) está disponível ONLINE.
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