Publicado 16/04/2026 13:31
Maricá - A Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Educação, começou a colocar em prática, no ano letivo de 2026, uma experiência ainda rara na educação pública brasileira: a inclusão do mandarim na grade curricular regular da rede municipal. O idioma, que antes era oferecido como atividade extracurricular, passou a integrar oficialmente a matriz de ensino dentro do modelo de escola trilíngue implantado no CEPT Leonel de Moura Brizola, em Itaipuaçu.
PublicidadeO estudante Pedro Henrique Cardoso, de 14 anos, já tem um plano traçado: quer conhecer a China. Aluno do ensino fundamental da rede municipal de Maricá, ele começou a estudar Mandarim em 2023 e, desde então, viu o interesse virar parte do dia a dia - dentro e fora da sala de aula. Hoje, além das aulas, participa de um grupo de dança tradicional chinesa com colegas.
“Aprender uma nova Língua abre muitas portas, como viagens, empregos e bolsas de estudo. Além disso, as danças chinesas são terapêuticas e me ajudam a ficar mais calmo no dia a dia”, conta o adolescente.
Histórias como a de Pedro ajudam a explicar uma aposta pouco comum na rede pública brasileira: desde o ano letivo de 2026, o Mandarim passou a fazer parte da grade curricular regular em Maricá. Antes oferecido apenas como atividade extracurricular, o idioma agora integra oficialmente o modelo de escola trilíngue implantado no Campus de Educação Pública Transformadora (CEPT) Leonel de Moura Brizola, em Itaipuaçu.
O projeto começou a sair do papel em setembro de 2025, quando a prefeitura lançou um piloto reunindo Português, Inglês e Mandarim na rotina dos alunos. Desde então, além do idioma, os estudantes passaram a ter contato com elementos da cultura chinesa, como caligrafia e dança, dentro de atividades ligadas ao projeto Interfronteiras.
Para muitos, o impacto já chega aos planos de futuro. A estudante Michele Ferreira de Mendonça, de 13 anos, também do ensino fundamental II, já pensa em seguir carreira em Relações Internacionais. “Quero experimentar a comida de lá e viver de perto essa cultura que admiro tanto. O Mandarim me inspira até a pensar no futuro e acredito que a língua vai abrir muitas portas culturais e profissionais”, diz.
Aprovação em exame internacional
Os primeiros resultados começaram a aparecer ainda em 2025. No fim do ano, 47 estudantes da rede municipal fizeram o exame internacional de proficiência em Mandarim HSK 1 - cerca de 80% foram aprovados. A prova foi aplicada presencialmente por avaliadores externos do Instituto Confúcio da PUC-Rio. O HSK é uma certificação internacional de língua chinesa, e o nível 1 mede conhecimentos básicos de leitura e compreensão auditiva.
Os primeiros resultados começaram a aparecer ainda em 2025. No fim do ano, 47 estudantes da rede municipal fizeram o exame internacional de proficiência em Mandarim HSK 1 - cerca de 80% foram aprovados. A prova foi aplicada presencialmente por avaliadores externos do Instituto Confúcio da PUC-Rio. O HSK é uma certificação internacional de língua chinesa, e o nível 1 mede conhecimentos básicos de leitura e compreensão auditiva.
Além dos alunos do CEPT, servidores da rede municipal em formação no Liceu Municipal de Línguas também participaram da avaliação. Para a Secretaria de Educação, o desempenho indica que o projeto começa a se consolidar com a entrada oficial do Mandarim no currículo.
“O Programa Educação Trilíngue promove o aprendizado desses idiomas por meio de metodologia inovadora baseada em tecnologias educacionais, alinhada à linguagem digital contemporânea e ao uso social responsável. A iniciativa amplia horizontes por meio do estímulo a processos criativos e da formação cidadã em um contexto globalizado”, afirmou o secretário de Educação, professor Rodrigo Moura.
Expansão para toda a rede
A proposta agora é ampliar o modelo para outras escolas da rede nos próximos anos, levando o ensino de Mandarim e Inglês para mais unidades. A experiência de Itaipuaçu deve servir como base para uma política de internacionalização do ensino no município.
A proposta agora é ampliar o modelo para outras escolas da rede nos próximos anos, levando o ensino de Mandarim e Inglês para mais unidades. A experiência de Itaipuaçu deve servir como base para uma política de internacionalização do ensino no município.
O projeto integra o Programa Municipal de Educação em Tempo Integral (Prometi) e se conecta ao Maricá Interfronteiras, iniciativa voltada ao ensino de línguas, intercâmbios culturais e ampliação do repertório internacional dos alunos.
Atualmente, a cidade conta com 10 escolas bilíngues, com oferta de idiomas como Francês, Espanhol, Alemão, Inglês e Mandarim, em parceria com instituições e escolas de países como México, Escócia, Chile e Austrália.
Além das aulas, a estratégia inclui a formação de professores e a aproximação com a cultura chinesa. Em 2025, um grupo de educadores e gestores passou quase um mês em formação na China, e a rede também passou a contar com professores nativos no corpo técnico.
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