União de Maricá transforma enredo sobre Darcy Ribeiro em ponte com aldeias e lideranças do XinguFoto: Divulgação
Publicado 08/08/2026 12:39 | Atualizado 08/08/2026 12:39
Maricá - A União de Maricá se prepara para homenagear Darcy Ribeiro no Carnaval de 2027, mas decidiu que a trajetória do antropólogo, educador e indigenista não será contada apenas por meio de livros e documentos. Num processo que aproxima o Carnaval dos povos originários, a escola vem desenvolvendo o enredo "Utopia Brasil: Darcy Ribeiro", assinado pelo carnavalesco Edson Pereira, em diálogo com lideranças indígenas e comunidades tradicionais. A proposta transforma a homenagem em um verdadeiro grito pela valorização da diversidade cultural, da memória e da luta dos povos indígenas, relação que ganha ainda mais significado neste Dia Internacional dos Povos Indígenas (9).
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A aproximação ganhou força nas últimas semanas. A agremiação passou a estreitar laços com aldeias, lideranças e instituições ligadas à preservação da memória indígena, numa iniciativa que busca garantir que a homenagem a Darcy Ribeiro seja construída a partir do diálogo, do respeito e da escuta.
Durante uma década, Darcy Ribeiro viveu entre diferentes povos indígenas brasileiros, experiência que marcou definitivamente sua trajetória intelectual e política. Foi um dos principais responsáveis pela criação do Parque Nacional do Xingu e do Museu do Índio, além de produzir obras fundamentais para a antropologia brasileira, como Arte Plumária dos Índios Kaapor, publicada em 1957 em parceria com Berta G. Ribeiro.
Em Maricá, a escola encontrou uma história que simboliza essa ligação. Na Aldeia Mata Verde Bonita, a liderança indígena Tupã Darcy carrega no próprio nome uma homenagem ao intelectual brasileiro. O nome foi escolhido por sua mãe, a Pajé Lídia, que conheceu Darcy Ribeiro e prometeu que daria seu nome ao filho como forma de agradecer pela dedicação à causa indígena.
"Para mim, Darcy simboliza uma grande referência. Eu o considero um grande pajé, um grande cacique que passou por este território. Acredito que o fato de estarmos aqui hoje faz parte de uma semente plantada há muito tempo. Algumas sementes levam décadas para florescer, ficam adormecidas na terra esperando o momento certo. E eu acredito que agora chegou o tempo de essa semente florescer", afirma Tupã Darcy.
A construção do enredo também já ultrapassou os limites de Maricá. Nesta semana, o barracão da escola recebeu a visita do cineasta indígena Piratá Waurá, liderança do Xingu. Depois de conhecer o projeto desenvolvido para o Carnaval 2027, ele destacou a importância de ver a história de Darcy Ribeiro sendo contada por uma escola que buscou primeiro ouvir os povos indígenas.
"Darcy Ribeiro caminhou ao lado dos nossos povos quando muitos ainda não queriam nos ouvir. Ele ajudou a preservar nossa cultura, nossa memória e nossos territórios. Saber que uma escola de samba está construindo esse enredo ouvindo as lideranças indígenas nos mostra que essa homenagem nasce do respeito. O Carnaval alcança milhões de pessoas e pode ajudar o Brasil a conhecer melhor a nossa história", disse.
O próximo passo da escola será uma imersão da equipe da União de Maricá na região do Xingu. A visita permitirá que integrantes da escola aprofundem o contato com as comunidades locais antes da conclusão do desenvolvimento artístico do desfile.
Para o carnavalesco Edson Pereira, esse processo é tão importante quanto o resultado que será apresentado na Avenida.
"Desde o primeiro dia entendemos que não poderíamos falar sobre Darcy Ribeiro sem ouvir aqueles que fizeram parte da sua caminhada. O nosso compromisso é construir um desfile que represente essa história com verdade, respeito e responsabilidade. Receber o apoio das lideranças indígenas nos dá a certeza de que estamos seguindo o caminho correto e aumenta ainda mais a responsabilidade de transformar esse legado em Carnaval”, ressaltou Edson.
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