O chanceler cubano Bruno Rodriguez cobra dos EUA a aplicação de isenções feitas a outros países durante a pandemiaAFP
Publicado 19/10/2022 17:03
Havana - O governo de Cuba solicitou, nesta quarta-feira, 19, a Washington a suspensão das sanções contra a Ilha que sejam facultativas ao presidente Joe Biden. O movimento ocorre depois que os Estados Unidos anunciaram uma ajuda emergencial de US$ 2 milhões, cerca de R$ 10,560 milhões, por conta da destrutiva passagem do furacão Ian.
Os Estados Unidos "têm o dever moral" de aplicar isenções a Cuba da mesma forma que fez com outros países durante a pandemia e após desastres naturais, disse o chanceler Bruno Rodríguez ao apresentar um relatório sobre o impacto do embargo americano contra a ilha.
Nesse sentido, acrescentou que o país "poderia tomar medidas de levantamento ou flexibilização do bloqueio em dezenas de áreas, utilizando as faculdades executivas".
"É o que a moral, é o que decência e é, inclusive, o que o interesse nacional da política e o direito internacional demandariam", indicou Rodríguez.
O chanceler agradeceu a ajuda humanitária anunciada na terça por Washington através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, depois que Ian deixou dois mortos e danos no oeste da ilha no final de setembro.
O chefe da diplomacia disse também que após um incêndio que queimou quatro tanques de petróleo em Matanzas, os Estados Unidos ofereceram duas assessorias técnicas virtuais e 100 uniformes para bombeiros, dos quais foram entregues apenas 43.
O acidente deixou 17 mortos e perdas materiais avaliadas em 100 milhões de dólares apenas de combustível queimado. Esta ajuda não "medimos por sua magnitude econômica mas por ser um ato de natureza humanitária que agradecemos", acrescenta o chanceler.
Cuba enfrenta sua pior crise econômica em três décadas, com escassez de alimentos, remédios e combustíveis, além dos frequentes apagões causados por suas termoelétricas obsoletas.
Esta situação foi agravada desde que o ex-presidente americano Donald Trump endureceu a partir de 2018 o embargo imposto a Cuba desde 1962, e também com os efeitos da pandemia de coronavírus.
Quando chegou à Casa Branca em janeiro de 2021, Biden prometeu revisar a política sobre a ilha, mas endureceu o discurso após massivos protestos contra o governo cubano em julho de 2021.
 
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