Alguns dos corpos foram localizados em praias de Steccato di Cutro, na CalábriaTwitter/Reprodução
Publicado 27/02/2023 08:42
O balanço do naufrágio de uma embarcação com migrantes no domingo (26) no Mediterrâneo, nas proximidades de Crotone, na Itália, subiu para 62 mortos, informou a Guarda Costeira nesta segunda-feira (27).
A embarcação colidiu contra rochas a poucos metros da costa. Pedaços do barco foram encontrados em vários pontos das praias da região. O balanço divulgado no domingo citava 59 vítimas fatais.
Segundo a imprensa italiana, a embarcação transportava de 150 a 200 migrantes. As vítimas eram do Afeganistão, Irã, Paquistão e Síria. Mais de 80 pessoas foram resgatadas com vida, e as buscas por desaparecidos continuam.

A nova tragédia ocupa as primeiras páginas da imprensa italiana nesta segunda. "O massacre de inocentes", afirma o jornal La Stampa, com uma fotografia dos pedaços da embarcação. "O barco ficou destruído a 100 metros da costa: o massacre de migrantes", destaca o jornal Il Corriere della Sera.

A primeira-ministra da Itália, a política de extrema-direita Giorgia Meloni, declarou no domingo que é "criminoso enviar ao mar uma embarcação de apenas 20 metros com 200 pessoas a bordo e com uma previsão do tempo ruim".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu a urgência de avançar com a reforma do direito de asilo na União Europeia.

"É necessário redobrar os esforços em relação ao Pacto sobre a Migração e o Direito de Asilo, assim como sobre o Plano de Ação para o Mediterrâneo Central", afirmou.

A situação geográfica da Itália faz do país um destino preferencial para os demandantes de asilo que viajam do norte da África para a Europa.

Roma critica há vários anos o número de chegadas a seu território, embora a maioria dos migrantes abandone a península e siga para outros países.

De acordo com o ministério do Interior, quase 14 mil migrantes entraram na Itália desde o início do ano, contra 5,2 mil no mesmo período no ano passado e 4,2 mil em 2021.

Meloni chegou ao poder em outubro com uma coalizão que prometeu a redução da entrada de migrantes ao país.

Há poucos dias, o Parlamento italiano aprovou uma nova lei que obriga os navios humanitários a fazer apenas um resgate por saída ao mar. Os críticos afirmam que a norma aumenta o risco de mortes no Mediterrâneo central, área considerada a travessia mais perigosa do mundo para os migrantes.

Para o ministro italiano do Interior, Matteo Piantedosi, esta "tragédia demonstra como é absolutamente necessário lutar de maneira firme contra as redes de imigração clandestina".

Embora as ONGs resgatem apenas um pequeno percentual deles — a maioria é interceptada pela Guarda Costeira ou por navios da Marinha —, o governo as acusa de estimular as viagens e de encorajar os traficantes com suas operações.
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