Joe Biden foi enfático ao afirmar que o aumento do limite de endividamento dos Estados Unidos pelo Congresso não é negociávelAFP
Publicado 26/04/2023 19:09
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Washington - O aumento do limite de endividamento dos Estados Unidos pelo Congresso "não é negociável", afirmou o presidente americano, Joe Biden, nesta quarta-feira, 26, quando os republicanos esperam votar um projeto de lei que vincula esta medida a um corte de gastos públicos.

Ficaria "feliz em me reunir com (o presidente da Câmara de Representantes, Kevin) McCarthy, mas não para falar sobre o aumento ou não do teto da dívida. Isso não é negociável", afirmou o presidente em uma coletiva de imprensa conjunta na Casa Branca com seu contraparte sul-coreano, Yoon Suk Yeol.

Nos Estados Unidos, cabe ao Congresso aumentar periodicamente o teto autorizado de endividamento do país para não deixar a primeira economia do mundo inadimplente. A Casa Branca pediu aos republicanos para não vincularem o orçamento ao processo de aumento do teto da dívida, que costuma confrontar os dois partidos no Congresso.

Em janeiro, os Estados Unidos alcançaram seu limite de endividamento, de US$ 31,4 trilhões, cerca de R$ 159 trilhões, levando o Tesouro a adotar medidas.

Os Estados Unidos correm o risco de descumprir suas obrigações de dívida a partir julho se o Legislativo não decidir por aumentar o limite de endividamento federal, destacou, em meados de fevereiro, o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês). Trata-se de uma situação sem precedentes, que poderia sacudir a economia mundial.

Desde a Presidência de Barack Obama, este procedimento, que antes era uma formalidade, costuma virar uma queda de braço política com os republicanos, embora sempre se consiga chegar a um acordo.

Um default provocaria "uma catástrofe econômica e financeira", advertiu a secretária do Tesouro, Janet Yellen. Por sua solvência, a dívida americana é um refúgio para o setor financeiro mundial.

Desde os anos 1960, o Congresso votou quase 80 vezes este tipo de medida para aumentar a capacidade de endividamento do país.

Contexto eleitoral 
Além das finanças públicas no curto prazo, as eleições presidenciais de 2024 surgem no horizonte, com Biden já candidato declarado à reeleição.

McCarthy, por sua vez, busca confirmar sua autoridade entre os republicanos com uma ideia que tem consenso em seu partido: forçar o governo Biden a adotar o remédio da austeridade.

Seu plano prevê um corte de US$ 4,5 trilhões, R$ 23 trilhões, dos gastos estimados no prazo de dez anos, com exceção dos militares, em troca de um aumento da capacidade de endividamento de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,5 trilhões).

Para alcançar seu objetivo, McCarthy não pode prescindir do voto de mais de quatro representantes republicanos. E para ele, o tempo urge: a Câmara estará em recesso entre o próximo fim de semana e 9 de maio.
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