Publicado 08/05/2024 09:48 | Atualizado 08/05/2024 12:49
O Exército israelense bombardeou Rafah, no sul da Faixa de Gaza, nesta quarta-feira (8), à espera de uma possível grande incursão terrestre, e em plena negociação no Cairo para uma trégua que, segundo o Hamas, é "decisiva" após sete meses de guerra.
A retomada das negociações na capital egípcia acontece com a presença de representantes israelenses e do movimento islamista palestino, assim como de mediadores do Catar, dos Estados Unidos e do Egito, informou um veículo de comunicação próximo às autoridades egípcias.
Apesar das advertências internacionais, os tanques israelenses assumiram na véspera o controle do lado palestino da passagem fronteiriça entre o Egito e a cidade de Rafah, principal ponto de entrada de ajuda humanitária ao enclave palestino.
Sob pressão de Washington, seu principal aliado, Israel anunciou nesta quarta-feira a reabertura de outra passagem de fronteira, a de Kerem Shalom, também no sul, fechado após um ataque com foguetes no domingo que matou quatro soldados.
"Caminhões procedentes do Egito chegam à passagem com ajuda humanitária, incluindo alimentos, água, materiais de abrigo, medicamentos e equipamentos médicos fornecidos pela comunidade internacional", afirma um comunicado do Exército.
Os suprimentos entrarão no enclave após passarem por inspeção, acrescentou. Mas Juliette Touma, porta-voz da UNRWA, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos, disse à AFP que esta passagem "ainda não estava aberta" durante a manhã.
Outra passagem fronteiriça de Israel, Erez, mais ao norte, também está aberta à chegada de ajuda, acrescentou o Exército.
Suspensão do envio de armas
PublicidadeA retomada das negociações na capital egípcia acontece com a presença de representantes israelenses e do movimento islamista palestino, assim como de mediadores do Catar, dos Estados Unidos e do Egito, informou um veículo de comunicação próximo às autoridades egípcias.
Apesar das advertências internacionais, os tanques israelenses assumiram na véspera o controle do lado palestino da passagem fronteiriça entre o Egito e a cidade de Rafah, principal ponto de entrada de ajuda humanitária ao enclave palestino.
Sob pressão de Washington, seu principal aliado, Israel anunciou nesta quarta-feira a reabertura de outra passagem de fronteira, a de Kerem Shalom, também no sul, fechado após um ataque com foguetes no domingo que matou quatro soldados.
"Caminhões procedentes do Egito chegam à passagem com ajuda humanitária, incluindo alimentos, água, materiais de abrigo, medicamentos e equipamentos médicos fornecidos pela comunidade internacional", afirma um comunicado do Exército.
Os suprimentos entrarão no enclave após passarem por inspeção, acrescentou. Mas Juliette Touma, porta-voz da UNRWA, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos, disse à AFP que esta passagem "ainda não estava aberta" durante a manhã.
Outra passagem fronteiriça de Israel, Erez, mais ao norte, também está aberta à chegada de ajuda, acrescentou o Exército.
Suspensão do envio de armas
O governo dos Estados Unidos considerou o fechamento destas passagens de fronteira "inaceitável".
Pressionado por protestos pró-Palestina nos campi universitários americanos, o governo de Joe Biden interrompeu na semana passada os envios de certas bombas para Israel devido a "preocupações" sobre uma ofensiva contra Rafah.
"Existem 1.800 bombas de 907 quilos e 1.700 bombas de 226 quilos", disse um alto funcionário do governo sob condição de anonimato.
Estados Unidos, ONU e União Europeia instaram Israel a não entrar em Rafah – onde estão aglomerados 1,4 milhão de palestinos, principalmente pessoas deslocadas, segundo a ONU -, por medo de um banho de sangue e de um agravamento da crise humanitária na Faixa. O Catar apelou nesta quarta-feira à comunidade internacional que aja para evitar um "genocídio".
Após a retirada de dezenas de milhares de palestinos das áreas a leste de Rafah na segunda-feira e o fechamento da passagem de fronteira com o Egito, as forças israelenses continuam bombardeando a cidade.
Também foram registrados bombardeios na Cidade de Gaza, no norte, onde um hospital anunciou a morte de sete membros de uma família.
'Rodada decisiva'
Pressionado por protestos pró-Palestina nos campi universitários americanos, o governo de Joe Biden interrompeu na semana passada os envios de certas bombas para Israel devido a "preocupações" sobre uma ofensiva contra Rafah.
"Existem 1.800 bombas de 907 quilos e 1.700 bombas de 226 quilos", disse um alto funcionário do governo sob condição de anonimato.
Estados Unidos, ONU e União Europeia instaram Israel a não entrar em Rafah – onde estão aglomerados 1,4 milhão de palestinos, principalmente pessoas deslocadas, segundo a ONU -, por medo de um banho de sangue e de um agravamento da crise humanitária na Faixa. O Catar apelou nesta quarta-feira à comunidade internacional que aja para evitar um "genocídio".
Após a retirada de dezenas de milhares de palestinos das áreas a leste de Rafah na segunda-feira e o fechamento da passagem de fronteira com o Egito, as forças israelenses continuam bombardeando a cidade.
Também foram registrados bombardeios na Cidade de Gaza, no norte, onde um hospital anunciou a morte de sete membros de uma família.
'Rodada decisiva'
O destino de Rafah e dos reféns israelenses sequestrados pelo Hamas está em jogo nas negociações na capital egípcia, mas tanto Israel como o grupo islamista são inflexíveis nas suas posições. Um alto funcionário do Hamas disse à AFP nesta quarta-feira que o seu movimento "insiste nas exigências legítimas do seu povo" e garantiu que esta é uma "rodada decisiva".
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu à sua delegação que se "mantenha firme nas condições necessárias para a libertação" dos reféns. Estas negociações representam "a última oportunidade para o premiê e para as famílias" dos reféns "de verem os seus filhos retornar", advertiu outro líder islamista no dia anterior.
Até agora, apenas uma trégua de uma semana em novembro conseguiu travar o conflito que eclodiu em 7 de outubro devido ao ataque do Hamas, considerado uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia.
Comandos islamistas infiltraram-se no sul de Israel naquele dia, matando 1.170 pessoas e sequestrando cerca de 250, segundo uma contagem da AFP baseada em dados israelenses. O governo israelense calcula que, após uma troca de reféns por prisioneiros palestinos naquela trégua de novembro, 128 pessoas permanecem em cativeiro em Gaza, das quais acredita-se que 36 morreram.
Israel iniciou uma ofensiva de retaliação que já deixou 34.844 mortos em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território governado desde 2007 pelo Hamas.
O grupo islamista aceitou a última proposta apresentada pelos mediadores, mas o gabinete de Netanyahu garantiu que estava "muito longe" das suas exigências e decidiu continuar "a operação em Rafah para exercer pressão militar sobre o Hamas".
Segundo Khalil al Hayya, alto dirigente do movimento islamista, a atual proposta contempla três fases de 42 dias cada. A medida inclui a retirada total de Israel da Faixa de Gaza, o retorno das pessoas deslocadas e a troca de reféns por prisioneiros palestinos, com o objetivo de um "cessar-fogo permanente".
Mas Israel opõe-se a uma retirada completa de Gaza e a um cessar-fogo permanente sem primeiro derrotar o Hamas, que, segundo o seu Exército, mantém os seus últimos batalhões em Rafah.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu à sua delegação que se "mantenha firme nas condições necessárias para a libertação" dos reféns. Estas negociações representam "a última oportunidade para o premiê e para as famílias" dos reféns "de verem os seus filhos retornar", advertiu outro líder islamista no dia anterior.
Até agora, apenas uma trégua de uma semana em novembro conseguiu travar o conflito que eclodiu em 7 de outubro devido ao ataque do Hamas, considerado uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia.
Comandos islamistas infiltraram-se no sul de Israel naquele dia, matando 1.170 pessoas e sequestrando cerca de 250, segundo uma contagem da AFP baseada em dados israelenses. O governo israelense calcula que, após uma troca de reféns por prisioneiros palestinos naquela trégua de novembro, 128 pessoas permanecem em cativeiro em Gaza, das quais acredita-se que 36 morreram.
Israel iniciou uma ofensiva de retaliação que já deixou 34.844 mortos em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território governado desde 2007 pelo Hamas.
O grupo islamista aceitou a última proposta apresentada pelos mediadores, mas o gabinete de Netanyahu garantiu que estava "muito longe" das suas exigências e decidiu continuar "a operação em Rafah para exercer pressão militar sobre o Hamas".
Segundo Khalil al Hayya, alto dirigente do movimento islamista, a atual proposta contempla três fases de 42 dias cada. A medida inclui a retirada total de Israel da Faixa de Gaza, o retorno das pessoas deslocadas e a troca de reféns por prisioneiros palestinos, com o objetivo de um "cessar-fogo permanente".
Mas Israel opõe-se a uma retirada completa de Gaza e a um cessar-fogo permanente sem primeiro derrotar o Hamas, que, segundo o seu Exército, mantém os seus últimos batalhões em Rafah.
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