Erik e Lyle Menendez assassinaram os pais brutalmente em 1989AFP
Publicado 11/04/2025 14:51
Antes da audiência que pode mudar o rumo de Lyle e Erik Menendez, Terry Baralt, tia dos irmãos, quebrou o silêncio e falou pela primeira vez desde o assassinato de José e Kitty Menéndez, pais de Lyle e Erik, em sua mansão em Beverly Hills, em 1989.
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À "ABC News", oito familiares de Lyle e Erik concederam uma entrevista inédita. Terry, irmã de José Menendez, contou contou à emissora americana que toda a família está torcendo para que os irmãos, condenados a prisão perpétua, consigam liberdade.
"Para todos, isto é ima história. Para mim, é algo muito pessoal. Aquelas crianças são como os meninos que eu nunca tive. Chegou a hora, 35 anos é muito tempo. É um ramo inteiro da minha família apagado. Os que se foram e os que ainda estão pagando por isso, que eram as crianças", diz emocionada.
A matriarca da família, com 85 anos, torce para que Lyle e Erik, agora com 57 e 54 anos, respectivamente, saiam da prisão logo. Terry, que luta contra um câncer de cólon, no entanto, teme não conseguir ver os sobrinhos libertos.
"Tentei ir vê-los o máximo que pude, mas é difícil porque moro em Nova Jersey e tenho 85 anos. Não tenho muito tempo. Quando as crianças são pequenas e vêm até você, você resolve o problema. Eu não posso ajudá-los. ... Não há nada que eu possa fazer — só ir visitá-los e chorar quando for embora", conta ela, sem conseguir segurar as lágrimas. "É por isso que não dou entrevistas. É difícil", completa.
Relembre o caso
Em 1989, os Estados Unidos ficaram chocados com o assassinato brutal de José e Kitty Menendez dentro de sua mansão em Beverly Hills, na Califórnia, nos Estados Unidos. Após gastarem rios de dinheiro depois da morte do casal, Lyle e Erik foram presos, em 1990, acusados de terem matado os pais. Em 1996, os irmãos foram condenados à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Durante a entrevista, Diane VanderMolen, uma das primas dos irmãos, disse que Erik entrou em contato com ela para pedir que transmitisse uma mensagem. "Eles estão verdadeiramente, profundamente arrependidos do que fizeram. Eles estão cheios de remorso pelo que fizeram. E, por meio disso, tornaram-se pessoas extraordinárias", afirma.
Em 20 de janeiro de 1989, os irmãos Menendez, com 21 e 18 anos na época, respectivamente, mataram os pais com 12 disparos de espingarda. Inicialmente, eles foram julgados separadamente, em 1995, mas o júri ficou dividido, o que resultou na anulação do julgamento. Como defesa, os dois afirmaram que cometeram o crime por medo de suas vidas após anos de suposto abuso sexual de José Menedez, que teria começado aos 6 anos com Lyle e continuado com Erik por mais de uma década.
A este ponto, a família não duvida que os irmãos foram abusados pelo próprio pai. No entanto, na época, os parentes não sabiam o que acontecia dentro da mansão em Beverly Hills. Outra prima dos irmãos, que prestava serviços domésticos na casa, achava um comportamento estranho, mas nunca tocou no assunto naquele momento.
"Eu aspirava a casa todos os dias, mas eu não podia aspirar passando do banheiro no corredor. O tempo em que estive lá, o que foi por um bom tempo, eu nunca vi o quarto das crianças, o quarto do casal... nada, porque eu não era autorizada a passar pelo corredor", descreve.
O abuso sexual, usado para a defesa dos irmãos, é um tópico de dúvida para a Justiça americana e para quem acompanha o caso. Muitos legam que tudo não passa de mentiras. Porém, os assédios voltaram a ser pauta quando, em 2023, o Roy Rosselló, ex-integrante da banda Menudos, revelou que foi estuprado por José Menendez, que na época era diretor da RCA Records, responsável pelo grupo.
Outra evidência que ajuda a comprovar os abusos, foi uma carta supostamente escrita por Erik, em dezembro de 1988 - cerce de oito meses antes do assassinado de José e Kitty Menendez -, para seu primo Andy Cano, em que contava o que passava em casa.
Nova audiência
Nesta sexta-feira (11), os irmãos Menendez enfrentam uma nova audiência em um tribunal de Los Angeles em sua tentativa de obter uma nova sentença que os libertará. Lyle e Erik lançaram uma nova cruzada judicial no ano passado para sair da prisão, enquanto uma campanha em seu nome ganhou força graças a um documentário e uma minissérie sobre o caso lançados recentemente pela Netflix.
No entanto, apesar do apoio da opinião pública, os Menéndez enfrentam uma batalha difícil. O novo promotor de Los Angeles, Nathan Hochman, disse no mês passado que seu gabinete queria retirar uma moção anterior que apoiava uma nova sentença que poderia garantir a libertação imediata dos dois irmãos. Hochman argumentou que os Menéndez deveriam permanecer atrás das grades porque nunca aceitaram sua responsabilidade e basearam sua defesa em uma série de mentiras.
Os irmãos "não demonstraram que entendem completamente e aceitam toda a responsabilidade por suas ações", disse Hochman. "Eles contaram 20 mentiras diferentes, das quais admitiram apenas quatro", acrescentou.
*Com informações da AFP
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