A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, descartou a assinatura de um acordo de livre comércio com o BrasilAFP
Publicado 28/08/2025 13:22 | Atualizado 28/08/2025 15:03
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, descartou a assinatura de um acordo de livre comércio com o Brasil nesta quinta-feira (28), em meio à pressão que as duas maiores economias da América Latina enfrentam devido às políticas comerciais do presidente americano, Donald Trump.

Os dois países assinaram acordos de cooperação em áreas como biocombustíveis e competitividade durante a visita ao México do vice-presidente Geraldo Alckmin, mas Sheinbaum afirmou que um tratado mais amplo não está previsto.

"Não estamos pensando em um acordo de livre comércio (...), mas sim em um acordo de colaboração", disse Sheinbaum em resposta à pergunta de um repórter em sua coletiva de imprensa regular, horas antes de receber Alckmin no palácio do governo.
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Brasil e México assinam acordos em vacinas com RNA mensageiro
Por ocasião da visita oficial do vice-presidente, Geraldo Alckmin, Brasil e México assinaram nesta quinta-feira, dois memorandos de entendimento na área da saúde. O primeiro documento foi assinado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o governo mexicano para cooperar no desenvolvimento e na produção de vacinas e terapias baseadas na tecnologia de RNA mensageiro (mRNA).

O acordo foi assinado por Alckmin e pelo secretário de Saúde do México, David Stalnikowitz. Pela Fiocruz, assinou a vice-presidente Priscila Ferraz Soares. Pelo lado mexicano, firmaram o documento representantes do Ministério da Saúde e da estatal Birmex, laboratório responsável pela produção e distribuição de vacinas no país.

"Unir a excelência científica do Brasil com a capacidade do México em uma tecnologia de ponta como o mRNA significa mais saúde e autonomia para as duas maiores democracias e economia da América Latina", disse Alckmin.

O objetivo principal do acordo é estabelecer uma colaboração estreita para explorar conjuntamente a pesquisa, o desenvolvimento e a transferência de tecnologia para produtos derivados de mRNA.

Diferentemente das vacinas tradicionais que usam o próprio agente infeccioso inativo ou atenuado para gerar anticorpos, o mRNA ensina o corpo a se defender sem expô-lo diretamente ao micro-organismo.

Segundo o governo brasileiro, a colaboração é "um passo estratégico para garantir a autossuficiência da região em futuras emergências sanitárias". A Fiocruz é uma das principais instituições de ciência e tecnologia em saúde do Brasil, enquanto a Birmex é a empresa estatal mexicana responsável por organizar e coordenar a produção e distribuição de medicamentos e vacinas no México.

Anvisa também assinou memorando

O segundo memorando de entendimento foi assinado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Comissão Federal para a Proteção contra Riscos Sanitários (Copefris) do México. Ele abre caminho para a modernização dos processos regulatórios e a ampliação do acesso a tecnologias de saúde seguras e eficazes.

Para o vice-presidente Geraldo Alckmin, a parceria vai agilizar processos e reduzir custos. "Nós vamos ganhar tempo para ter respostas mais rápidas, em benefício da população, e reduzir custos com uma boa sinergia, uma boa parceria. A Anvisa e a Cofepris vão atualizar o seu memorando, para a gente avançar mais", ressaltou.

Estão abarcadas a regulação de produtos como medicamentos, dispositivos médicos, cosméticos, alimentos e bebidas, além de suas matérias-primas.

Além disso, o registro sanitário de dispositivos médicos concedido pelo Brasil poderá servir de referência para o registro expedido no México. Da mesma forma, para a Certificação de Boas Práticas de Fabricação, a Anvisa poderá utilizar as decisões da Cofepris para agilizar suas análises de medicamentos

Brasil e México também fecharam parcerias em outras áreas, incluindo agro, biocombustível, fortalecimento comercial e atração de investimentos.
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