Publicado 01/09/2025 17:52
Nova York - Mais de 1,2 milhão de imigrantes deixaram a força de trabalho dos Estados Unidos entre janeiro e julho deste ano, segundo dados preliminares do Censo analisados pelo Pew Research Center. O recuo envolve tanto pessoas em situação irregular quanto residentes legais e ocorre no momento em que o país registra o primeiro declínio na população imigrante após o recorde de 14 milhões em 2023.
PublicidadeImigrantes representam quase 20% da força de trabalho americana e são essenciais em setores como agricultura, construção e serviços. Segundo o Pew, 45% dos trabalhadores em agricultura, pesca e manejo de florestas são imigrantes, assim como 30% da construção e 24% dos serviços.
"Não está claro quanto do declínio se deve a saídas voluntárias, deportações, subnotificação ou outras questões técnicas", disse a pesquisadora Stephanie Kramer. "No entanto, não acreditamos que os números preliminares indicando migração líquida negativa estejam tão distantes a ponto de o declínio não ser real."
As políticas de imigração de Trump, que prometeu deportar milhões de imigrantes, reduziram drasticamente as travessias ilegais na fronteira. Embora ele diga priorizar "criminosos perigosos", a maioria dos detidos não tem condenações. Pia Orrenius, economista do Federal Reserve (Fed) de Dallas, afirma que os imigrantes respondem por "pelo menos 50% do crescimento de empregos nos EUA".
Setores inteiros sentem os efeitos. O Sindicato Internacional de Empregados de Serviços (SEIU, na sigla em inglês), alerta que cerca de 43% dos cuidadores domiciliares são imigrantes. "O que vai acontecer quando milhões de americanos não puderem mais encontrar um cuidador?", questionou Arnulfo De La Cruz, dirigente da entidade.
Para o economista Ken Simonson, da associação de construtoras, "contratariam mais pessoas se pudessem encontrar trabalhadores qualificados e dispostos e se a fiscalização migratória mais rígida não estivesse atrapalhando a oferta de mão de obra".
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