Publicado 10/09/2025 08:33
O embaixador de Israel na ONU defendeu nesta quarta-feira (10) a ação militar de seu país contra os líderes do Hamas no Catar, que provocou uma rara crítica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao país.
PublicidadeO ataque mortal de terça-feira (9), que teve como alvo dirigentes do movimento islamista palestino, incomodou o principal aliado de Israel, que mantém relações estreitas com o Catar.
A Casa Branca expressou o descontentamento do presidente americano e o próprio Trump destacou em sua plataforma Truth Social que a decisão foi tomada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e não por ele.
A Presidência dos Estados Unidos também afirmou que havia alertado o Catar sobre o ataque, mas as autoridades de Doha destacaram que a informação chegou depois da operação militar.
Em uma entrevista a uma emissora de rádio israelense, o embaixador do país na ONU, Danny Danon, justificou a ação militar no Catar: "Nem sempre agimos no interesse dos Estados Unidos".
"Nós estamos em coordenação, eles nos dão um apoio incrível, nós apreciamos isso, mas às vezes tomamos decisões e informamos aos Estados Unidos", declarou o diplomata.
Além de ser um aliado importante de Washington, ao abrigar a maior base militar americana no Oriente Médio, o Catar atua como mediador no conflito entre Israel e Hamas. O país também abriga, desde 2012, a sede do gabinete político do movimento palestino que controla a Faixa de Gaza.
"Não foi um ataque ao Catar, foi um ataque ao Hamas. Não estamos contra o Catar, nem contra nenhum país árabe, atualmente enfrentamos uma organização terrorista", explicou Danon à emissora 103 FM. O diplomata afirmou que "é muito cedo" para avaliar o resultado do ataque, mas insistiu que "a decisão foi a correta".
O Hamas afirmou que seis pessoas morreram no ataque, incluindo o filho de um de seus principais negociadores, Khalil al Hayya, mas destacou que os dirigentes de alto escalão sobreviveram.
O Catar relatou a morte de um de seus agentes de segurança. O rico emirado do Golfo explicou que o ataque atingiu as casas de vários membros do gabinete político do Hamas.
O primeiro-ministro catari, xeque Mohamed bin Abdulrahman al Thani, afirmou que o país continuará atuando como mediador no conflito de Gaza ao lado do Egito e dos Estados Unidos.
Mas também alertou que se reserva "o direito de responder". "Acreditamos que hoje chegamos a um ponto de inflexão. Deve haver uma resposta de toda a região," destacou.
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