Publicado 29/09/2025 12:02
O presidente russo, Vladimir Putin, assinou uma lei, nesta segunda-feira (29), para retirar a Rússia de uma convenção europeia contra a tortura, enquanto Moscou se desvincula dos órgãos ocidentais dos quais foi expulsa ou abandonou após sua ofensiva na Ucrânia.
PublicidadeA Rússia foi expulsa em março de 2022 do Conselho da Europa, um organismo internacional que supervisiona os direitos humanos, mas tecnicamente permaneceu como parte de sua Convenção Europeia para a Prevenção da Tortura.
O acordo histórico visa fortalecer os direitos das pessoas privadas de liberdade e concede aos observadores o poder de visitar presídios e centros de detenção.
Nesta segunda, Putin assinou uma lei que denuncia a convenção.
As notas explicativas da lei, que foi previamente aprovada pelo Parlamento russo, acusam o Conselho da Europa de "discriminação" por se recusar a nomear um representante russo para os órgãos estatutários.
No mês passado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a retirada da convenção não "prejudicaria" os cidadãos russos e que a Rússia "continua comprometida com suas obrigações internacionais em matéria de direitos humanos".
Mas dois relatores especiais da ONU disseram no início deste mês que a decisão de se retirar do tratado "suscita sinais de alerta sobre o que está acontecendo atrás das grades" nos presídios russos.
A decisão foi tomada após órgãos de vigilância internacionais terem denunciado repetidamente supostas violações de direitos humanos por parte das autoridades russas durante sua ofensiva na Ucrânia.
Na semana passada, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) afirmou que Moscou era responsável por "violações generalizadas e sistemáticas" do direito internacional no tratamento de prisioneiros de guerra ucranianos, incluindo "execuções arbitrárias".
Um relatório do escritório de direitos humanos da ONU também concluiu que a Rússia "submeteu civis ucranianos detidos a padrões consistentes de violações graves" do direito internacional.
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