Publicado 03/10/2025 08:58
Um tenente-coronel do Exército paraguaio, ex-diretor da prisão militar onde está presa a mulher do traficante uruguaio foragido Sebastián Marset, foi assassinado a tiros na quinta-feira (2) em Assunção depois de ter deposto como testemunha contra um superior que buscava favorecer outro chefe.
PublicidadeO oficial havia declarado semanas atrás em um julgamento por tentativa de suborno que envolvia o traficante paraguaio Miguel Ángel "Tío Rico" Insfrán, um suposto parceiro de Marset, informou a polícia.
Guillermo Moral, de 44 anos, acabava de entrar em sua caminhonete quando dois atiradores em uma moto dispararam três vezes contra ele em frente à faculdade de Direito em Assunção, disse o delegado César Silguero a jornalistas.
"É preocupante que isso aconteça na capital. Vamos fazer o possível para alcançar os responsáveis" pelo assassinato a tiros do tenente-coronel, acrescentou.
Moral foi diretor da prisão militar Viñas Cué, nos arredores da capital.
Lá está Gianina García Troche, mulher do uruguaio Marset, foragido acusado de crimes relacionados ao tráfico de drogas.
A mulher, extraditada da Espanha em maio, foi condenada por lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.
Na mesma prisão esteve Tío Rico, extraditado do Brasil em 2023 e processado por liderar um esquema criminoso dedicado ao tráfico de drogas através do Paraguai.
Há um mês, o militar assassinado havia sido testemunha em um julgamento que terminou com a condenação de um superior e da mulher dele por tentativa de suborno.
"Este crime covarde constitui um ataque direto do crime organizado contra o Estado paraguaio", escreveu no X o vice-presidente Pedro Alliana, ao condenar este "brutal ato de assassinato por encomenda.
"Um oficial exemplar"
Em 2023, Tío Rico entrou na prisão de Viñas Cué e seus cúmplices tentaram enviar-lhe um celular dentro de um pacote de erva-mate.
Segundo o depoimento de Moral, seu superior e a mulher lhe ofereceram o equivalente a 1,5 mil dólares (7.485 reais em 2023) para que ele aceitasse o pacote, mas o tenente recusou e denunciou a tentativa de suborno.
Moral foi afastado da prisão de Viñas Cué e o mafioso transferido para a prisão de segurança máxima de Minga Guazú, em Ciudad del Este, 330 km a leste de Assunção.
Em 4 de setembro, a Justiça condenou por suborno agravado no caso do celular o coronel Luis Belotto e sua esposa, Alba de Belotto, a dois anos de prisão, embora não tenham sido presos devido à curta duração da pena.
Víctor Moral, irmão do militar assassinado, disse que o ataque "foi um trabalho da máfia" e lamentou que as autoridades não tenham designado proteção para ele: "É gravíssimo o que aconteceu e ele não foi protegido".
"Meu irmão foi um oficial exemplar. Por querer ser um bom profissional, tiraram-lhe a vida", disse aos jornalistas.
Em junho, o uruguaio Marset, acusado de ser um poderoso traficante na América do Sul, ofereceu render-se no Paraguai em troca da liberdade de sua mulher.
Segundo o Insight Crime, um centro de estudos e veículo sobre o crime organizado nas Américas, Marset tem supostos vínculos com grupos criminosos como o clã Insfrán, do Paraguai, liderado por "Tío Rico" e seu irmão, o pastor evangélico José Alberto Insfrán.
A ONG também associa Marset ao PCC e à 'Ndrangheta italiana.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reiterou em fevereiro suas acusações contra Marset ao chamá-lo de "assassino" do promotor antimáfia paraguaio Marcelo Pecci, baleado no Caribe colombiano em 2022.
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