Publicado 20/11/2025 12:13
A Justiça espanhola condenou a Meta, proprietária do Facebook e Instagram, a pagar mais de 540 milhões de euros (3,32 bilhões de reais) a veículos de comunicação locais por “concorrência desleal”, ao considerar que infringiu uma regulamentação sobre proteção de dados pessoais, uma decisão que pode estabelecer precedente.
PublicidadeA gigante tecnológica foi processada por ter utilizado, entre 2018 e 2023, dados de usuários sem sua autorização para criar perfis publicitários individualizados.
Essa prática, segundo a denúncia feita principalmente pela Associação de Meios de Informação (AMI), teria gerado grandes lucros em detrimento dos meios espanhóis que cumpriram a legislação.
Em uma decisão datada de quarta-feira, o Tribunal Comercial de Madri considerou que a empresa americana obteve “uma vantagem competitiva significativa ao realizar publicidade em suas redes sociais Facebook e Instagram infringindo o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD)”, informou a Corte nesta quinta-feira.
Além dos 479 milhões de euros (2,93 bilhões de reais) que deverão pagar aos membros da AMI, a Meta terá que desembolsar 60 milhões de euros (369 milhões de reais) em custos judiciais, além de outras indenizações de menor valor a outros meios que não fazem parte da AMI.
A Meta rejeitou a decisão do tribunal, que, em sua opinião, se baseia em "uma permissão infundada que carece de qualquer evidência do dano alegado e ignora deliberadamente como funciona a indústria da publicidade online", e afirmou que irá recorrer.
'Perfilado massivo'
Durante o julgamento, realizado no início de outubro, a AMI argumentou que a Meta havia realizado "um perfilado massivo do comportamento de todos os internautas" e, a partir disso, "sem informar e obter o consentimento dos cidadãos, publicidade vendida segmentada gerando um lucro enorme", explicou na época Irene Lanzaco, sua diretora-geral.
Os executivos da Meta pretenderam demonstrar, no entanto, que a publicidade dos dados dos usuários são menos importantes do que os algoritmos usados para tornar os anúncios relevantes e que, para desenvolver essas ferramentas, a empresa fez grandes investimentos.
O juiz teve que realizar um cálculo para determinar o montante do prejuízo causado, já que a Meta "não apresentou nenhum processo de contas de seus negócios na Espanha", explicou o tribunal.
A infração durou de maio de 2018, quando entrou em vigor a regulamentação, até agosto de 2023, quando a Meta mudou a base legal do consentimento.
Nesse período, com base nos dados fornecidos pela imprensa digital espanhola, o magistrado concluiu que a empresa ganhou na Espanha mais de 5,28 bilhões de euros (32,5 bilhões de reais) com publicidade online.
O juiz considerou que parte desse dinheiro "deve ser distribuída entre os demais concorrentes do mercado publicitário espanhol, entre eles, a imprensa digital espanhola", pois foi obtida "com infração ao RGPD".
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