Publicado 04/12/2025 12:30
A União Europeia (UE) abriu nesta quinta-feira (4) uma investigação contra o grupo de tecnologia americano Meta por uma possível infração às normas de concorrência relacionadas às funções de inteligência artificial (IA) de seu aplicativo de mensagens WhatsApp.
PublicidadeA Comissão Europeia explica em um comunicado que uma nova política anunciada pela Meta "poderia impedir que fornecedores de IA de terceiros ofereçam os seus serviços através do WhatsApp", o que, se confirmado, constituiria um abuso de posição dominante.
Em um momento de pleno desenvolvimento das atividades relacionadas à IA, Bruxelas quer se assegurar de "que os cidadãos e as empresas se beneficiem plenamente desta revolução tecnológica, impedindo que aqueles que ocupam posições dominantes se aproveitem dela para expulsar a concorrência", indicou Teresa Ribera, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela Concorrência.
Atualmente, destacou a UE, o WhatsApp permite que empresas se comuniquem com seus clientes através de sua plataforma, e algumas o fazem utilizando serviços de IA desenvolvidos por fornecedores independentes da Meta, empresa matriz de outras plataformas como Facebook e Instagram.
Contudo, segundo a Comissão, as novas regras de funcionamento anunciadas pela empresa com sede na Califórnia, nos Estados Unidos, poderiam impedir o acesso aos fornecedores externos, em benefício de seu próprio serviço, denominado Meta AI.
Procurado pela AFP, um porta-voz do WhatsApp destacou que "estas afirmações carecem de fundamento".
A proliferação de bots conversacionais de IA que utilizam a interface de programação (API) do WhatsApp destinada às empresas "coloca à prova os nossos sistemas, que não foram concebidos para suportar tal carga", por isso as mudanças anunciadas, indicou.
Desde julho, a Meta é objeto de uma investigação na Itália relacionada ao lançamento de seu assistente de IA no WhatsApp. A autoridade de concorrência do país considerou que a medida poderia prejudicar seus concorrentes.
Esta nova investigação demonstra a determinação de Bruxelas em regulamentar as empresas do setor digital, apesar das repetidas pressões dos Estados Unidos, que acusam a UE de atacar injustamente os líderes americanos do setor.
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