Documentos do caso Epstein foram censuradosAFP
Publicado 21/12/2025 08:08
O material que começou a ser publicado ontem inclui fotos que mostram o ex-presidente Bill Clinton e outras personalidades, como o líder dos Rolling Stones, Mick Jagger, da companhia de Epstein, mas grande parte dos documentos teve amplos trechos ocultados, o que alimenta dúvidas sobre se publicação vai eliminar as teorias da conspiração sobre uma descoberta no mais alto nível.
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Os democratas exigiram respostas depois que uma imagem que incluía uma foto de Donald Trump foi removida da publicação on-line do Departamento de Justiça. “Se retirarem isso, imaginem quanto mais tentar esconder”, criticou o senador democrata Chuck Schumer. "Este poderia ser um dos maiores descobrimentos da História."
Entre amostras de trechos ocultos, um documento de 119 páginas intitulado Grande Júri - NY foi totalmente censurado.
Jess Michaels, uma das vítimas de Epstein, disse que passou horas revisando os documentos, para encontrar seu depoimento e os registros de quando telefonou para uma linha de denúncias do FBI. "Não encontro nada", disse à rede de TV CNN. "Isso é o melhor que o governo pode fazer? Nem sequer uma lei do Congresso nos está fazendo justiça."
Ainda assim, os arquivos jogam luz sobre os laços íntimos do financeiro com pessoas ricas, famosas e poderosas, incluindo o presidente Donald Trump.
Ao menos um expediente contém itens de imagens de pessoas nuas ou vestidas com pouca roupa. Fotos inéditas mostram o ex-príncipe britânico Andrew recostado sobre as pernas de cinco mulheres.
Entre as fotos que ainda não foram divulgadas, uma mostra o ex-presidente Bill Clinton, com aparência jovial, relaxando em uma jacuzzi, com parte da imagem ocultada por um retângulo preto. Outra imagem mostra Clinton nadando com uma mulher de cabelo escuro, que parece ser Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein.
O congressista republicano Thomas Massie, que pressionou há tempos para que as informações sobre Epstein fossem divulgadas, afirmou que a medida "viola gravemente tanto o espírito quanto a letra da lei" aprovou no Congresso, que obriga o governo a publicar todo o expediente do caso, exceto documentos que violam a privacidade das vítimas.
O vice-procurador-geral, Todd Blanche, afirmou à emissora ABC que não houve nenhuma tentativa “de reter nada” para proteger Donald Trump, que foi amigo de Epstein e tentou durante meses evitar a publicação dos arquivos em poder do Departamento de Justiça, apesar de ter feito campanha em 2024 com a promessa de total transparência sobre o tema.
Por fim, o presidente americano cedeu à pressão do Congresso, inclusive do Partido Republicano, e prometeu em 19 de novembro uma lei que obrigava a publicação do material em 30 dias, prazo que se encerraria à meia-noite desta sexta-feira.
Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein, foi a única pessoa condenada até hoje em conexão com seus crimes. Ela cumpre pena de 20 anos para recrutar menores de idade para o ex-banqueiro, cuja morte foi oficialmente considerada suicídio. 
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