Liam Conejo Ramos, de cinco anos, e seu pai, Adrian Conejo Arias, de nacionalidade equatoriana, foram detidos quando chegavam à residência onde vivemAFP
Publicado 23/01/2026 16:06 | Atualizado 23/01/2026 16:07
A detenção de um menino de cinco anos durante uma operação contra imigrantes em Minneapolis provocou indignação nesta sexta-feira (23) na cidade do norte dos Estados Unidos, onde foi convocado um dia de protestos contra a atuação dos agentes.
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Milhares de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) estão mobilizados em Minneapolis como parte da campanha do presidente Donald Trump contra a migração.
Liam Conejo Ramos, de cinco anos, e seu pai, Adrian Conejo Arias, de nacionalidade equatoriana, foram detidos quando chegavam à residência onde vivem, informou Zena Stenvik, superintendente das escolas públicas de Columbia Heights, onde a criança cursava a pré-escola.
Segundo Stenvik, depois o menino foi usado pelos agentes do ICE como "isca" para bater à porta da casa e fazer com que as pessoas no interior saíssem.
Nas redes sociais, circulou uma foto do menino com um gorro azul de coelho enquanto uma pessoa vestida de preto o segura pela mochila escolar.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, confirmou na quinta-feira que a criança está entre os detidos, mas afirmou que os agentes buscaram protegê-la depois que o pai "fugiu" de uma batida.
"O que eles deveriam fazer? Deixar uma criança de cinco anos morrer de frio?", questionou.
'Os colegas sentem sua falta'
Vários políticos do Partido Democrata criticaram duramente a ação. O congressista democrata Joaquín Castro rejeitou a explicação de Vance e classificou as autoridades de Segurança Interna como "mentirosos compulsivos".
Ele acrescentou que sua equipe não conseguiu localizar o menino, que, segundo informações, foi transferido com o pai para um centro de detenção em San Antonio, no Texas.
A ex-vice-presidente Kamala Harris também condenou a detenção do menor. "Liam Ramos é apenas uma criança pequena. Deveria estar em casa com a família, não sendo usado como isca pelo ICE e mantido em um centro de detenção no Texas", escreveu na rede social X.
Uma professora de Liam, identificada como Ella, afirmou que o menino era "um aluno brilhante".
"Os colegas sentem sua falta. Ele vem todos os dias à escola e ilumina a sala de aula. Só quero que volte são e salvo", escreveu em comunicado.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou o fato de o governo federal tratar crianças "como criminosos".
Greve em Minneapolis
Com o lema "sem trabalho, sem escola, sem compras", convocações para um dia de protestos contra o ICE circularam nas redes sociais, e um protesto está previsto para o início da tarde no centro de Minneapolis.
Depois, haverá uma concentração no ginásio onde joga o time da NBA, com capacidade para 20 mil pessoas.
A imprensa local antecipou o fechamento de "centenas" de comércios, restaurantes e instituições culturais em protesto contra a operação de grande escala realizada pelo ICE há várias semanas no estado de Minnesota.
Segundo o advogado Marc Prokosch, que representa a família, o menino e o pai seguiram os trâmites legais ao solicitar asilo em Minneapolis, uma cidade-santuário onde a polícia não coopera com operações migratórias federais.
Vance afirmou que a "falta de cooperação" dificulta os esforços do ICE e aumenta as tensões.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou nesta sexta-feira surpresa com os "abusos rotineiros" das autoridades americanas contra imigrantes e refugiados e pediu o fim de práticas que "estão separando famílias".
"Estou estarrecido com os abusos agora rotineiros contra migrantes e refugiados, e com a difamação" que sofrem, afirmou em comunicado.
Minneapolis registra protestos cada vez mais tensos desde que uma mulher morreu em 7 de janeiro durante uma operação anti-imigração do ICE.
O agente que atirou, Jonathan Ross, não foi suspenso nem acusado de qualquer crime. Trump e seus assessores defenderam rapidamente a ação como legítima defesa.
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