Publicado 15/02/2026 17:41
São Paulo - Morreu neste domingo, 15, aos 90 anos, o multi-instrumentista francês Michel Portal, um dos grandes nomes do jazz e da música contemporânea europeia. A informação foi compartilhada pelas agências públicas de notícia francesas, como a rádio France Musique, que lamentou a perda do artista nas redes sociais com "imensa tristeza". A empresária Marion Piras, responsável pela agenda do clarinetista, não trouxe detalhes sobre a causa da morte.
PublicidadeMúsico de múltiplas facetas, Michel Portal (1935-2026) construiu uma trajetória singular ao transitar entre o jazz, o repertório clássico e a experimentação sonora, e deve receber homenagens de instituições culturais francesas. Compositor e multi-instrumentalista (clarinetista, saxofonista e bandoneonista), nasceu em Bayonne, na França, teve formação essencialmente clássica e construiu uma carreira marcada pela circulação entre diferentes linguagens musicais e instituições culturais europeias, segundo a Opéra Nacional de Bordeaux.
Formou-se em clarinete no Conservatório de Paris, onde obteve o primeiro prêmio em 1959 e estudou direção musical com Pierre Dervaux. Também recebeu distinções em concursos internacionais, como o de Genebra (1963), consolidando uma base acadêmica e técnica fortemente ligada à tradição erudita europeia.
A casa de ópera o descreve como um artista "singular" e "inclassificável", capaz de atuar como solista clássico, intérprete da música contemporânea e improvisador no jazz. Seu repertório incluía autores como Wolfgang Amadeus Mozart e Johannes Brahms, além de colaborações com compositores modernos como Pierre Boulez, Karlheinz Stockhausen e Luciano Berio.
No campo da criação e da pesquisa sonora, foi cofundador do grupo de improvisação New Phonic Art, dedicado à experimentação coletiva, e criou posteriormente o Michel Portal Unit, estrutura aberta voltada à improvisação e ao intercâmbio entre músicos europeus e norte-americanos.
Sua trajetória combinou atuação em concertos clássicos, festivais contemporâneos e projetos de jazz, além da composição de trilhas para cinema e televisão. Recebeu o Grand Prix National de la Musique e acumulou prêmios e reconhecimento institucional por sua contribuição à integração entre tradição erudita e improvisação moderna.
Ao longo de mais de seis décadas, foi presença recorrente em instituições de formação, festivais e casas de ópera europeias. Instituições culturais como a Philharmonie de Paris ressaltam sua atuação simultânea no jazz, na música clássica e na contemporânea, bem como sua colaboração com compositores modernos e sua importância histórica no free jazz europeu.
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.