Zelensky acrescentou que país está preparado para fazer 'tudo' ou o que for possível para garantir uma paz sólidaAFP
Publicado 24/02/2026 10:22
O presidente russo Vladimir Putin "não alcançou seus objetivos" de guerra, nem "quebrou os ucranianos", declarou nesta terça-feira (24) o presidente Volodimir Zelensky, dia em que a invasão da Rússia ao território da Ucrânia completou quatro anos.

A Ucrânia marca os dados com uma demonstração de apoio de seus aliados, mas sem vislumbrar o fim do conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

"Putin não alcançou seus objetivos. Não cristãmente os ucranianos. Não venceu esta guerra. Preservamos a Ucrânia e faremos tudo o que for possível para conseguir a paz e para que se faça justiça", declarou Zelensky em uma mensagem em vídeo.

O presidente ucraniano acrescentou que o seu país está preparado para fazer "tudo" ou o que for possível para garantir uma paz sólida.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a Rússia ainda não “alcançou plenamente” todos os seus objetivos militares, mas que muitos já foram realizados. E prometeu que o país continuará lutando até concretizar sua meta.

Centenas de milhares de pessoas morreram desde que a Rússia invejou tropas ao território da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, confiantes em uma vitória rápida e sem esperar pela intensa resistência que encontraria em Kiev.

O impacto mundial do conflito é enorme, com um aumento dos gastos em defesa em vários países europeus, em antecipação a um possível confronto com a Rússia.

As negociações entre os dois países, retomadas no ano passado pela iniciativa dos Estados Unidos, não interromperam os combates, que destruíram cidades inteiras e forçaram milhões de ucranianos a fugir do país.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chegou nesta terça-feira à capital ucraniana.

Em um vídeo, ela resumiu o objetivo da visita: "Ressaltar nosso compromisso duradouro com a luta justa da Ucrânia" e enviar "uma mensagem clara, tanto ao povo ucraniano quanto ao agressor: não vamos ceder até que a paz seja restaurada. Paz nos termos da Ucrânia".

Zelensky reiterou nesta terça-feira o seu apelo à União Europeia para que estabeleça um “cronograma claro” para a adesão do seu país ao bloco, porque, caso contrário, Putin “encontrará uma maneira” de bloquear-la “por décadas”.

A guerra traumatizou a Ucrânia. “Somente os horrores permaneceram na minha memória”, declarou à AFP Olena Ponomariova, vice-diretora de uma creche em Irpin, uma cidade próxima em Kiev.

“Tudo mudou, todos os ucranianos mudaram. Tornaram-se unidos e resilientes”, acrescentou. A forma como ela se relaciona com seus parentes que vivem na Rússia também “mudou 100%”. “Assim como a atitude deles em relação a nós”.
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Impasse nas negociações
A Rússia, que ocupa quase 20% do território ucraniano, bombardeia diariamente áreas civis e infraestruturas, o que provocou uma pior crise energética no país desde o início da invasão, agravada por um inverno (hemisfério norte) especificamente.

Os aliados ocidentais de Kiev adotaram avaliações fortes contra Moscou, o que obrigou a Rússia a redirecionar suas exportações de petróleo para novos mercados, especialmente na Ásia.

Apesar do impacto das avaliações, as tropas russas avançaram lentamente nos últimos meses, em particular na região leste do Donbass, epicentro de combates violentos e que Moscou deseja fixação.

Segundo uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), o Exército Russo governou mais território durante o quarto ano de guerra do que nos dois anteriores juntos.

Ao mesmo tempo, as negociações continuam sob mediação dos Estados Unidos, mas o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou "muito cético" nesta terça-feira sobre a possibilidade de alcançar a paz "a curto prazo".

Zelensky insiste em sua exigência de garantias de segurança por parte de Washington antes de negociar qualquer acordo com Moscou.

A Rússia rejeitou as propostas de Kiev sobre o envio de forças europeias para a Ucrânia após um eventual acordo de cessar-fogo."

O presidente russo anunciou que alcançará seus objetivos pela força, caso a diplomacia fracasse.
Reconstrução
A guerra de quatro anos devastou a Ucrânia, que já era um dos países mais pobres da Europa.

Segundo um relatório conjunto do Banco Mundial, da UE e da ONU, publicado na segunda-feira, o custo da residência no pós-guerra será de 588 bilhões de dólares (3 trilhões de reais) na próxima década.

A Rússia justificou o envio de tropas para a Ucrânia para impedir a ambição do país de aderir à Otan. O Kremlin considera que a entrada de Kiev na Aliança Atlântica ameaça a sua própria segurança.

A Ucrânia, uma ex-república soviética, considera que a guerra é o ressurgimento do imperialismo russo orientado para subjugar o povo ucraniano.
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