Publicado 28/02/2026 07:36 | Atualizado 28/02/2026 07:36
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um grande ataque contra o Irã na madrugada deste sábado (28), prometendo “aniquilar” a marinha e as instalações de mísseis do país, e incitando os iranianos a derrubarem seu governo.
PublicidadeEm um pronunciamento em vídeo após os Estados Unidos e Israel começarem a bombardear o Irã, Trump deixou claro que o objetivo era a destruição das forças armadas da república islâmica e a derrubada das autoridades no poder desde a revolução de 1979.
“Nós vamos destruir seus mísseis e destruir sua indústria de mísseis até o chão. Ela será totalmente - novamente - devastada. Nós vamos aniquilar sua marinha”, disse Trump no pronunciamento feito de sua casa na Flórida e publicado na plataforma Truth Social.
Ele incitou os opositores das autoridades iranianas a se levantarem, dizendo que “a hora da sua liberdade está próxima". “Quando terminarmos, assumam o seu governo. Ele será de vocês para assumir”, disse Trump. Esta “será provavelmente a sua única chance por gerações.”
Mas em uma parte do breve discurso que foi direcionada ao público dos EUA, Trump reconheceu que “as vidas de corajosos heróis americanos podem ser perdidas” no que o Pentágono apelidou de “Operação Fúria Épica”. “Podemos ter baixas”, alertou Trump.
Qualquer perda de vidas do lado dos EUA seria politicamente arriscada para o próprio Trump, especialmente após sua recusa em buscar aprovação para a guerra contra o Irã junto ao Congresso - e seu próprio longo histórico de oposição a intervenções estrangeiras.
Uma operação de um dia para depor o ex-líder autoritário da Venezuela, em janeiro, foi realizada sem baixas americanas. Os ataques aéreos cirúrgicos contra os principais locais nucleares do Irã, em junho passado, também ocorreram sem perdas para os EUA.
Bombas ‘caindo por toda parte’
A “Operação Fúria Épica” está em uma escala totalmente diferente, tanto militar quanto politicamente. Um ataque era amplamente esperado depois que Trump ordenou o maior envio de tropas militares para o Oriente Médio em anos. Mas parlamentares críticos vêm questionando há dias por que Trump não se dirigiu ao público americano ou ao Congresso para explicar a necessidade da guerra.
O vídeo de Trump apareceu sem aviso em seu site Truth Social às 2h30 da manhã na Flórida, onde ele estava passando o fim de semana em seu luxuoso clube de golfe. Trump, usando um boné branco com a inscrição “USA” e sem gravata com sua camisa branca e casaco escuro, estava em pé em um púlpito entre duas bandeiras contra um fundo preto.
Ele buscou justificar o ataque ao Irã dizendo: “Nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças iminentes do regime iraniano.” “Eles tentaram reconstruir seu programa nuclear e continuar desenvolvendo mísseis de longo alcance que agora podem ameaçar nossos muito bons amigos e aliados na Europa, nossas tropas estacionadas no exterior e que em breve poderiam alcançar o território americano”, disse ele.
Ele instou as forças iranianas a se renderem, incluindo a Guarda Revolucionária de elite, encarregada de proteger o governo liderado pelo clero. “Aos membros da Guarda Revolucionária Islâmica, das forças armadas e de toda a polícia, digo esta noite que vocês devem depor suas armas e ter imunidade completa ou, alternativamente, enfrentar morte certa.”
Mas Trump alertou os iranianos comuns de que o bombardeio dos EUA seria em grande escala. “Fiquem abrigados. Não saiam de casa. Está muito perigoso lá fora. Bombas estarão caindo por toda parte.”
Na sexta-feira (27), Trump insistiu que ainda não havia decidido se atacaria, e seus enviados se reuniram na quinta-feira com o principal diplomata do Irã para tentar chegar a um acordo sobre as principais preocupações relacionadas ao programa nuclear de Teerã.
O principal diplomata de Omã, que mediou as conversas na quinta-feira em Genebra entre os Estados Unidos e o Irã, havia se mostrado otimista quanto a um acordo. Ele se reuniu, na sexta-feira, com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e disse à CBS News que o Irã concordou em zerar o estoque de urânio enriquecido necessário para a fabricação de uma bomba atômica, um objetivo negado por Teerã.
*Com informações de AFP
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