Embaixada americana foi atingida em Riade, o que provocou um incêndio limitado e pequenos danos materiaisAFP
Publicado 03/03/2026 07:34 | Atualizado 03/03/2026 09:02
A guerra no Oriente Médio desencadeada pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã não dá sinais de trégua nesta terça-feira (3), com um ataque de drones contra a embaixada americana na Arábia Saudita e intensos bombardeios israelenses em Teerã e no Líbano.
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Dois aparelhos atingiram a embaixada americana em Riade, o que provocou um incêndio limitado e pequenos danos materiais, segundo o Ministério da Defesa Saudita. A embaixada pediu aos seus cidadãos na capital e noutras cidades que permanecessem confinados.

Ao ser questionado sobre a resposta americana ao ataque, o presidente americano Donald Trump disse: “Vocês descobrirão em breve”.

A Embaixada dos Estados Unidos no Kuwait anunciou o fechamento por tempo indeterminado “devido às tensões regionais”.

Desde sábado, o Irã executa uma contraofensiva direcionada contra bases militares americanas no Oriente Médio e no território de Israel.

Donald Trump anunciou que uma guerra contra o Irã pode durar um mês ou mais, no momento em que o conflito, que entra no quarto dia, se intensifica em diversas frentes.

A guerra também afeta o fornecimento global de petróleo e provoca quedas expressivas nas bolsas internacionais.

A Arábia Saudita, que foi alvo de mísseis iranianos no início do conflito, informou nesta terça-feira que interceptou oito drones nas imediações de Riade e da cidade de Al Kharj. Um morador da capital declarou à AFP que “ouviu uma explosão e sentiu a casa tremer”.

Israel alertou que a guerra pode durar “muitos dias”. Trump, por sua vez, citou “quatro a cinco semanas” de conflito, mas destacou que os Estados Unidos podem “ir muito além”, se necessário.

O presidente americano também disse que não hesitaria em enviar tropas para a região se "considerasse necessário". Seis militares americanos morreram desde o início da guerra.
TV iraniana atacada
Israel ampliou as operações ao Líbano, em represália a um ataque executado na segunda-feira pelo pró-iraniano Hezbollah.

O Exército israelense anunciou nesta terça-feira "ataques simultâneos" em Teerã e Beirute contra alvos militares iranianos e do Hezbollah. Segundo imagens da AFPTV, uma grande nuvem de fumaça foi observada sobre a capital libanesa.

O canal de televisão Al Manar, vinculado ao Hezbollah, informou que suas instalações nos subúrbios do sul de Beirute foram bombardeadas durante a noite.

Paralelamente à campanha de bombardeios, o Exército israelense mobilizou soldados em "vários pontos" do sul do Líbano.

"Não é uma operação terrestre. É uma medida tática (...) destinada a garantir a segurança do nosso povo", explicou à imprensa estrangeira o tenente-coronel Nadav Shoshani, porta-voz internacional das Forças Armadas.

No Irã, o Exército israelense anunciou que "atacou e desmantelou" a sede da rádio e televisão pública (IRIB), mas uma emissora afirmou que prossegue com seus detalhes. Fortes explosões foram ouvidas em vários pontos da capital iraniana, segundo jornalistas da AFP.
Netanyahu defende uma guerra
Em uma entrevista ao canal Fox News, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, defendeu a operação militar ao alegar que era necessário atacar o programa nuclear iraniano antes que se tornasse “imune”.

Após a guerra de 12 dias e os ataques israelensesamericanos de junho de 2025, os iranianos “começaram a construir novas instalações, novos locais, bunkers construídos, que tornariam seus programas de mísseis balísticos e seus programas de bombas atômicas imunes em questão de meses”, disse o chefe do Governo de Israel.

“Se nenhuma ação fosse tomada agora, nenhuma ação poderia ser aplicada no futuro”, acrescentou. "E então conseguimos ter planejado para os Estados Unidos. Chantagear o país", disse o grande aliado de Trump.

O Irã prossegue com os disparos de mísseis e lançamentos de drones contra Israel, que prorrogou até sábado o fechamento de escolas, escritórios e a ordenação de aglomerações. Diversas explosões foram ouvidas em Jerusalém.

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou um “ataque de grande envergadura” nesta terça-feira contra uma base aérea americana no Bahrein. Sem apresentar evidências, o exército ideológico de Teerã afirmou que 20 drones e três mísseis atingiram os alvos e destruíram o principal centro de comando da base.

O Exército americano afirmou na rede social X que destruiu instalações de comando e controle do Corpo da Guarda Revolucionária, além de capacidades de defesa aérea iranianas, plataformas de lançamento de mísseis e drones e diversas bases militares.

O Departamento de Estado Americano tentou às autoridades “não essenciais” que deixassem Bahrein, Jordânia e Iraque.
Inquietação nos mercados
Diante da expansão de um conflito em múltiplas frentes, a inquietação domina os mercados financeiros, com uma alta expressiva dos preços dos hidrocarbonetos e a valorização do dólar.

A Bolsa de Tóquio fechou com uma queda de 3% e a de Seul caiu 7,24% nesta terça-feira.

A Guarda Revolucionária reivindicou na segunda-feira o ataque contra um petroleiro, apresentado como vinculado aos Estados Unidos, no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo e gás.

Um general iraniano ameaçou “incendiar qualquer navio” que tentasse atravessar a região. A China, principal compradora do petróleo iraniano, pediu a todas as partes envolvidas na guerra no Oriente Médio que mantivessem a segurança no Estreito de Ormuz.

“As tarifas de transporte marítimo para os grandes navios praticamente dobraram da noite para o dia”, afirmou Chris Weston, da corretora Pepperstone.
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