Donald Trump, presidente dos EUAAFP
Publicado 10/03/2026 11:51
O Irã ameaçou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (10), e prometeu bloquear todas as remessas de petróleo do Oriente Médio enquanto os Estados Unidos e Israel continuam com sua campanha de bombardeios.
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"O Irã não se intimida com suas ameaças vazias. Outros, mais poderosos que você, procurou eliminar a nação iraniana e falharam. Cuidado para não ser eliminado você também!", escreveu Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, em uma mensagem a Trump.
A República Islâmica condenou as declarações de Trump no dia anterior, quando ele afirmou que a guerra terminaria "em breve", mas atingiu o Irã "com muita, muita força" se continuasse bloqueando as remessas de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo.
Essa perspectiva causa preocupação nos mercados, que tem uma forte alta nos preços da energia.
O conflito eclodiu em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã, que respondeu com uma série de represálias militares e ações previstas para a interrupção do trânsito de energia na região.
"As forças armadas iranianas [...] não permitirão a exportação de um único litro de petróleo da região para a parte hostil e seus aliados até novo aviso", alertou Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que seu país está "preparado" para continuar a guerra "pelo tempo que for necessário".
Os comentários do presidente americano provocaram uma queda acentuada nos preços do petróleo, que agora estão entre US$ 86 e US$ 90 o barril (R$ 448 e R$ 469), e uma recuperação nas bolsas de valores, tanto na Ásia, no fechamento, quanto na Europa, na abertura.
Os preços do gás na Europa também caíram cerca de 15%.
Além disso, para aliviar a pressão sobre os preços do petróleo, Trump anunciou, sem dar muitos detalhes, que suspenderia as avaliações relacionadas ao petróleo contra alguns países.
'Consequências catastróficas'
O aumento dos preços do petróleo afetou todo o mundo. Em muitos países asiáticos, longas filas foram observadas em postos de gasolina.
"Trabalho durante o dia, só posso ficar na fila para abastecer minha moto à noite. Essa guerra é uma loucura, tudo vai ficar mais caro", reclamou Tuan Hung, de 33 anos, em um posto de gasolina no Vietnã, onde o preço da gasolina comum subiu cerca de 20% em dez dias.
Enquanto isso, o presidente e CEO da petroleira saudita Aramco, Amin H. Nasser, afirmou que a retomada do tráfego no Estreito de Ormuz é “absolutamente crucial” e alertou para as “consequências catastróficas” que um bloqueio prolongado poderia trazer.
O Catar denunciou os ataques "de ambos os lados" contra instalações de energia, que, segundo o país, criam um "precedente perigoso".
Ataques no Golfo 
Em relação aos objetivos da guerra, Trump não se pronunciou claramente. Washington tem defendido uma mudança de regime ou, na falta disso, uma formação de um governo em Teerã alinhada aos seus interesses. Na segunda-feira, Trump afirmou estar "insatisfeito" com a nomeação como líder supremo de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, assassinado no início da campanha militar israelense-americana.
O governo Trump alega querer destruir as capacidades balísticas do Irã e impedi-lo de desenvolver armas nucleares. Teerã sempre negou ter essa intenção.
Apesar das declarações de Trump, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou nesta terça-feira que "ainda não terminamos" com o Irã e reiterou que sua intervenção está "quebrando os ossos" do poder de Teerã.
Seu exército anunciou uma nova onda de bombardeios contra Teerã, onde jornalistas da AFP ouviram explosões.
Enquanto isso, o Irã mantém seus ataques de retaliação contra o território israelense e a infraestrutura petrolífera de seus vizinhos na região do Golfo.
Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que um ataque com drone causou um incêndio em uma área industrial, enquanto o Kuwait e a Arábia Saudita afirmaram ter derrubado veículos aéreos não tripulados.
As autoridades do Bahrein relataram duas mortes em um bombardeio contra um prédio residencial.
'Só há civ aqui'
As forças israelenses também foram bombardeadas pelo Líbano desde que o movimento pró-iraniano Hezbollah arrastou o país para a guerra regional em 2 de março ao lançar mísseis contra Israel.
Israel alertou sobre bombardeios em Tiro e Sidon, no sul do Líbano, posições do Hezbollah, e pediu a evacuação de vários prédios residenciais.
"Este é um bairro residencial, o centro da cidade. Só há civis aqui. Este bombardeio visa nos deficientes para que as pessoas fujam, nada mais", disse à AFPTV Nazir Saad, morador do distrito de Tayr Debba, em Tiro.
Os ataques israelenses forçaram mais de 667 mil pessoas a fugir de suas casas no Líbano, 100 mil delas em apenas 24 horas, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).
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