Cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca Latino de JerusalémAFP
Publicado 29/03/2026 14:22 | Atualizado 29/03/2026 14:22
A polícia israelense impediu o Patriarca Latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, de entrar na igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Domingo de Ramos, uma medida criticada pelos governos da Itália e da França.

O Patriarcado Latino, uma diocese católica com fiéis em Israel, nos territórios palestinos, na Jordânia e no Chipre, informou que a polícia impediu a entrada de Pizzaballa e do pároco na Igreja do Santo Sepulcro quando eles pretendiam celebrar a missa do Domingo de Ramos.

"Como resultado, e pela primeira vez em séculos, os dirigentes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro", afirma um comunicado do Patriarcado.

Segundo a diocese, os religiosos se deslocavam sozinhos, e não em procissão, quando tiveram a passagem bloqueada e foram obrigados a retornar.

"Este incidente constitui um grave precedente e demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo que, durante esta semana, voltam seus olhos para Jerusalém", destacou o Patriarcado Latino.

Desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, as autoridades israelenses proibiram as grandes aglomerações, inclusive aquelas programadas para sinagogas, igrejas e mesquitas. Os atos públicos estão limitados a 50 pessoas.

A polícia israelense declarou que os locais sagrados de Jerusalém estão fechados desde o início da guerra.

"O pedido do Patriarcado foi examinado ontem e se informou que não poderia ser aprovado" devido às restrições, afirmou a polícia em um comunicado enviado à AFP.

"A Cidade Velha e os locais sagrados são áreas complexas que não permitem o acesso de veículos grandes e de resgate, em caso de um ataque", acrescenta a nota.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que não houve "má intenção" na atuação da polícia e a única motivação foi "a preocupação com a segurança do patriarca e sua comitiva".

O Domingo de Ramos, que abre a Semana Santa, celebra a última entrada de Jesus em Jerusalém, onde foi recebido de modo triunfal por uma multidão poucos dias antes de sua crucificação e de sua ressurreição no Domingo de Páscoa, segundo os Evangelhos.

O Patriarcado Latino já havia anunciado o cancelamento da tradicional procissão do Domingo de Ramos, que normalmente parte do Monte das Oliveiras em direção a Jerusalém e atrai milhares de fiéis.

"Os chefes das Igrejas têm atuado com total responsabilidade e, desde o início da guerra, respeitaram todas as restrições impostas", declarou o Patriarcado.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, denunciou "uma ofensa não apenas aos fiéis, mas para qualquer comunidade que respeite a liberdade religiosa". O Ministério das Relações Exteriores do país anunciou que convocará o embaixador de Israel.

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou a decisão e afirmou que se soma a uma "preocupante multiplicação de violações do estatuto dos Lugares Sagrados de Jerusalém".
Publicidade
 
Leia mais