Segundo comunicado, ataques atingiram uma área próxima à antiga embaixada dos Estados Unidos.AFP
Publicado 01/04/2026 10:19
 O governo israelense atacou Teerã, capital do Irã, nesta quarta-feira (1), horas antes do discurso que o presidente Donald Trump pretende fazer ao povo americano após o primeiro mês de uma guerra às 21h em Washignton, capital norte-americana (22h em Brasília). Segundo líder estadunidense, a guerra pode terminar em ''questão de semanas''.

O conflito, que começou em 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, se espalhou por todo o Oriente Médio, o que provocou uma crise no setor de energia e na economia mundial.

Em meio às incertezas sobre as negociações para tentar acabar com a guerra, a Radiotelevisão da República Islâmica do Irã (IRIB), televisão estatal iraniana, relatou "ataques contra Teerã" na madrugada de quarta-feira.

Um correspondente da AFP informou que os ataques atingiram uma área próxima à antiga embaixada dos Estados Unidos. O muro do edifício sofreu danos.

Também foram relatados "danos e destruição significativos" em espaços de usinas de aço no centro e sudoeste do Irã, segundo a imprensa local.

O Exército israelense confirmou uma "onda de ataques em larga escala" contra o Irã. Também anunciou que interceptou mísseis lançados a partir da República Islâmica, a primeira ação de resposta de Teerã em quase 20 horas. Os serviços de emergência divulgaram uma média de 14 feridos, incluindo uma menina de 11 anos que está em estado crítica.

Israel informou ainda que suas defesas aéreas responderam a um míssil lançado do território do Iêmen, posteriormente reivindicado pelos houthis, grupo político e militar aliados do Irã e que se uniram ao conflito regional nos últimos dias.

Os países Kuwait e Bahrein, por sua vez, relataram incêndios em um aeroporto e nas instalações de uma empresa, respectivamente, após ataques atribuídos ao Irã.

Na costa do Catar, um petroleiro sofreu danos ao ser atingido por um projétil. Nos Emirados Árabes Unidos, um cidadão de Bangladesh morreu quando foi atingido por estilhaços após a interceptação de um ataque com drones.

Duas, talvez três semanas
Publicidade
O presidente norte-americano Donald Trump, cujas declarações sobre a guerra vão e vêm entre um tom combativo e pacificador, surpreendeu na terça-feira com uma nova guinada ao afirmar que a guerra poderia terminar em 'duas, talvez três semanas'. 'Mas vamos terminar o trabalho', insistiu.

A Casa Branca anunciou que o presidente republicano fará "uma importante atualização sobre o Irã" em um discurso à nação às 21h00 desta quarta-feira (22h00 de Brasília).

Trump, que na segunda-feira (30) havia prometido "aniquilar" a estratégica ilha iraniana de Kharg e poços de petróleo se um acordo sobre a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz não fosse alcançado rapidamente, afirmou na terça-feira que não chegar a um acordo era "irrelevante".

A notícia sobre a possibilidade de fim da guerra em algumas semanas foi bem recebida nos mercados asiáticos nesta quarta-feira (1): a Bolsa de Tóquio fechou em alta de mais de 4% e Seul disparou mais de 6%. As Bolsas europeias também operavam em alta: Paris, Londres e Frankfurt avançavam mais de 2% na metade da sessão.

Às 11h45 GMT (8h45 de Brasília), o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em junho era negociado novamente acima de 100 dólares, a US$ 101,98, com uma queda de 1,91% na comparação com o fechamento de terça-feira.

A cotação do seu equivalente americano, o WTI, recuava 2,30%, a 99,05 dólares.

O Reino Unido anunciou que organizará esta semana uma reunião com quase 30 países dispostos a atuar para restabelecer e garantir a segurança do transporte marítimo em Ormuz.


Garantias necessárias
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse na terça-feira que a República Islâmica tem a "vontade necessária" para acabar com a guerra, desde que seus inimigos apresentem "as garantias necessárias" de que o conflito não será retomado.

Contudo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou, em uma entrevista exibida nesta quarta-feira, que o país não está em negociações com os Estados Unidos e que Teerã não respondeu a uma suposta proposta de 15 pontos apresentada por Washington para encerrar o conflito.

"Recebemos mensagens da parte americana, algumas diretas e outras por meio de nossos amigos na região, e sempre que é necessário respondemos às mensagens", declarou ao canal Al Jazeera.

A Guarda Revolucionária ameaçou atacar empresas americanas de alta tecnologia, como Google, Intel, Meta e Apple, em caso de mais "assassinatos" de dirigentes iranianos.

Ameaça existencial
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a campanha prosseguirá, mesmo depois de insistir que o conflito "mudou o panorama do Oriente Médio" e que os programas balísticos e nucleares do Irã já não constituíam uma "ameaça existencial".

No Líbano, bombardeado diariamente por Israel na ofensiva contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, as autoridades anunciaram que sete pessoas morreram em ataques durante a noite.

O país foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, depois que o Hezbollah lançou mísseis contra o território israelense em solidariedade a Teerã.

O Exército israelense anunciou que matou um "comandante" do grupo armado e um "terrorista de alto escalão" na região de Beirute.

"Ninguém sabe o que está acontecendo", declarou Hassan Jalwan, morador da cidade, à AFP.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou que o país pretende manter tropas em partes do sul do Líbano após a guerra. Beirute e a ONU expressaram preocupação com a "nova ocupação" do país.
Leia mais