Papa Leão XIV discursa para a multidão da varanda principal da Basílica de São PedroAFP
Publicado 05/04/2026 08:22 | Atualizado 05/04/2026 10:10
O papa Leão XIV celebrou, neste domingo (5), a missa de Páscoa no Vaticano. Durante a cerimônia, o pontífice desejou "boa Páscoa" em diversos idiomas, incluindo o português, e fez um apelo para que líderes mundiais "escolham a paz".
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"Feliz Páscoa. Levai a todos a alegria do Senhor ressuscitado [Jesus Cristo] presente entre nós", afirmou o papa em português.
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Milhares de fiéis acompanharam a missa na Praça de São Pedro, que teve cânticos e homilia de Leão XIV, com referências à ressurreição de Jesus Cristo. O local foi decorado com cerca de 60 mil flores. Esta foi a primeira Páscoa celebrada pelo pontífice desde que assumiu o papado, há cerca de 11 meses.
Em sua mensagem Urbi et Orbi, à Cidade de Roma e ao Mundo, proferida da sacada central da Basílica de São Pedro, o Papa recordou que "a Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio".

"Uma vitória a um preço muito alto, pois "Cristo, o Filho do Deus vivo, teve de morrer, e morrer numa cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo e assim nos libertou a todos do domínio do mal, e conosco também a criação", disse.

"Mas como é que Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo adversário, o príncipe deste mundo? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai"? Perguntou.

"Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata. Cristo, o nosso Rei vitorioso, travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação", apontou Leão XIV, lembrando que assim, Jesus "percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar a nós, que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se matar na cruz", continuou.

"A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga dourada. É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu", apontou.
"Neste dia de festa, abandonemos toda a vontade de contendas, domínio e poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua paz ao mundo atormentado pelas guerras e marcado pelo ódio e pela indiferença, que nos fazem sentir impotentes perante o mal. Ao Senhor confiamos todos os corações que sofrem e esperam a verdadeira paz que só Ele pode dar", concluiu.
"Nós nos acostumamos à violência, nos resignamos a ela e nos tornamos indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às sequelas do ódio e divisão que semeiaram os conflitos" e às suas consequências econômicas e sociais, discursou a milhares de igrejas reunidas no Vaticano.
Rompendo a tradição seguida há anos por seus antecessores, Leão XIV não citou nenhum país ou região em crise no mundo. Também anunciou a celebração de uma vigília de oração pela paz em 11 de abril na Praça de São Pedro.
Ao longo de toda a Semana Santa, a sombra do conflito no Oriente Médio pairou sobre as celebrações. Na noite de sábado, durante a Vigília Pascal, o chefe da Igreja católica denunciou as divisões criadas "pela guerra, pela injustiça, pelo isolamento entre povos e nações".

Em Roma, a Páscoa reacende também a memória do papa Francisco: em 2025, o jesuíta argentino fez sua última aparição pública na Praça de São Pedro no domingo de Ressurreição, poucas horas antes de sua morte.
 
*Com informações do AFP
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