Publicado 13/04/2026 10:30
Um tribunal condenou, nesta segunda-feira (13), a empresa francesa de cimento Lafarge e oito ex-executivos acusados de financiamento do terrorismo em 2013 e 2014, por pagarem a jihadistas para manter uma fábrica em funcionamento durante a guerra na Síria.
PublicidadeA empresa, que foi adquirida pela suíça Holcim, optou por proteger seus interesses econômicos em uma Síria mergulhada no caos, da qual outras multinacionais já haviam se retirado.
A Lafarge fez pagamentos a três organizações jihadistas, incluindo o Estado Islâmico (EI), totalizando aproximadamente 5,6 milhões de euros (32,9 milhões de reais à taxa de câmbio atual), afirmou o tribunal criminal de Paris em sua sentença.
Isso permitiu que eles "preparassem ataques terroristas", particularmente os ocorridos na França em janeiro de 2015, acrescentou a sentença.
"Essa forma de financiamento de organizações terroristas, principalmente do Estado Islâmico, foi fundamental para permitir que a organização terrorista assumisse o controle dos recursos naturais da Síria, possibilitando o financiamento de atos terroristas tanto na região quanto no exterior, especialmente na Europa", enfatizou a juíza Isabelle Prévost-Desprez.
A empresa estabeleceu uma "parceria comercial com o Estado Islâmico", afirmou a juíza, que destacou a grande quantia paga.
Por essas ações, o ex-CEO da Lafarge, Bruno Lafont, foi condenado a seis anos de prisão, com detenção imediata. Outros sete ex-executivos da empresa de cimento receberam penas que variam de 18 meses a sete anos de prisão.
Durante o julgamento, realizado entre novembro e dezembro, a defesa tentou negar que a fábrica em Jalabiya permanecesse ativa por razões puramente financeiras, em detrimento da segurança de seus mil funcionários.
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